Kohl admite ter viajado de graça em jatos de magnata alemão
Berlim, 26 (AE-ANSA) - O ex-chanceler alemão Helmut Kohl admitiu hoje (26) ter "viajado de graça", em pelo menos cinco ocasiões, em jatos da empresa aérea Transalpina - de propriedade do magnata das comunicações na Alemanha Leo Kirch -, depois que deixou o governo em meados de 1998. "Esses vôos não tiveram nenhuma relação com meu governo", assegurou Kohl em comunicado distribuído à imprensa por seu escritório.
Segundo a revista Stern, o ex-chanceler democrata-cristão foi "ardoroso defensor" na Comissão Européia de um projeto de Kirch para fusão de suas empresas com os grupos Bertelsmann e Telekon. "Kohl viajou a convite de Kirch", disse o porta-voz ex-chefe de governo, Michael Roik. "Não há ligação entre os vôos e a projetada aliança (entre os grupos empresariais)."
O ex-chanceler é o principal implicado num escândalo de violação da lei de financiamento dos partidos ocorrido no período em que presidiu a União Democrata-Cristã (CDU) e o governo.Ele admitiu ter criado contas secretas para receber "doações políticas", mas nega-se a revelar o nome dos doadores, alegando "questão de honra".
Grande parte dos "donativos" teria sido integralizada pelo consórcio petrolífero estatal francês Elf-Aquitaine que, no início da década de 90, comprou a refinaria Leuna (na ex-Alemanha Oriental). Kohl nega ter recebido dinheiro do grupo para aplicar nas campanhas políticas da CDU. Contudo, uma assessora dele, a ex- subsecretária da Defesa Agnes Huerland-Buening, confessou hoje ter recebido comissão da Elf no valor de US$ 120 mil. "O dinheiro foi depositado em minha conta corrente no Commerzbank (banco alemão) em janeiro de 1992 e fevereiro de 1993."
O deputado Kohl não tem comparecido às sessões do Parlamento. Na semana passada, ele chegou a ser multado em quase US$ 100. Segundo alguns colegas, o ex-chanceler dificilmente voltará a frequentar um plenário que lhe será hostil, "pelo menos enquanto insistir em não revelar o nome das pessoas ou empresas que depositaram dinheiro nas contas secretas".
Sobre esse comportamento, o ex-ministro do Trabalho democrata- cristão Norbert Bluem acusou Kohl de "desvirtuar" o termo "questão de honra". "Enquanto Kohl mantiver silêncio, alegando empenho de palavra, todo mundo pode afirmar que em política não existe moral nem honra", concluiu Bluem em entrevista a Stern.
O jurista alemão Rolf Groescher, especialista em direito constitucional, foi mais longe ao definir o silêncio do ex-chanceler e pai da unificação do país como uma "espécie de honra de mafioso".
Como consequência dessa posição intransigente, a comissão parlamentar de inquérito que investiga as contas secretas vai debater amanhã uma estratégia para esclarecer o escândalo. Segundo um de seus membros, o dirigente social-democrata Rainer Wend, a idéia é interrogar primeiro os membros da CDU que possam fornecer um grande número de pedras do quebra-cabeça. O ex-chanceler seria ouvido por último e, dessa forma, "encostado na parede".
Figuram na lista de convocados a depor Horst Weynrauch, ex-síndico da CDU, os administtradores Hans Tierlinden e Uwe Luethje, e os ex- tesoureiros Walther Leiler Kiep e Brigitte Baumeinster.





