Koch-Weser retira sua candidatura a diretor-gerente do FMI Do correspondente Paulo Sotero
Koch-Weser retira sua candidatura a diretor-gerente do FMI Do correspondente Paulo Sotero7/Mar, 18:56 Los Angeles, 7 (AE) - Vetado e publicamente humilhado pelos Estados Unidos e sem o apoio da maioria dos países em desenvolvimento, entre eles o Brasil, o vice-ministro das Finanças da Alemanha, Caio Koch-Weser, que é brasileiro de nascimento, retirou sua candidatura hoje ao posto de diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI). Porta-vozes do governo de Berlim disseram que, em seu lugar, o chanceler Gerhard Schroeder pretende apresentar o nome do atual presidente do Banco Europeu de Reconstrução e Desenvolvimento, Horst Koehler. Um ex-vice-ministro das Finanças e ex-assessor pessoal do chanceler Helmult Kohl, Koehler, de 57 anos, é ligado à oposição ao atual governo alemão. O anúncio de sua indicação foi recebido friamente nos Estados Unidos e não parece ter despertado grande entusiasmo mesmo nas capitais européias, com as quais Schroeder manteve consultas no fim de semana e precisam referendar a escolha antes de ela ser formalmente apresentada ao FMI. Em Washinhton, o secretário do Tesouro, Larry Summers, fez uma declaração parecida com a que usou para deixar clara a oposição norte-americana a Koch-Weser, antes de sua candidatura ser endossada pela União Européia. "É muito importante que o novo candidato do FMI seja capaz de comandar o consenso global" disse Summers. "Nós deixamos claro que os EUA consideram essencial que o FMI tenha uma liderança forte e excepcional, que seja comensurável com suas responsabilidades globais específicas." Um porta-voz do primeiro-ministro de Portugal, Antonio Guterres, que ocupa no momento a presidência rotativa da UE, disse que Koehler tem seu apoio. Um barômetro da viabilidade de Koehler será o tempo que a UE levará para endossar sua candidatura. A demora do apoio a Koch-Weser fez com que ele fosse o terceiro candidato a ser oficialmente lançado e confirmou as dúvidas de Washington e de outros governos sobre suas qualificações para dirigir o FMI. Outro será a disposição dos outros dois candidatos - o norte-americano Stanley Fischer, atual diretor interino, e o ex-vice-ministro das Finanças do Japão Eisuke Sakakibara - de retirarem-se da disputa. Fischer e Sakakibara receberam 12% e 9%, respectivamente, num votação informal realizada na quinta-feira, menos do que os 36% do poder votante que se absteve.Koch-Weser recebeu o apoio de apenas 43%. Entre os 24 diretores-executivos do FMI, que representam os 182 países membros da instituição, o impasse reforçou a tese de que o processo seguido até agora para a seleção do chefe do Fundo tornou-se inadequado e está sendo usado pela última vez.





