Klink supera nova tempestade;perigo agora são os icebergs
São Paulo, 14 (AE) - Novamente Amyr Klink teve de enfrentar uma tempestade, aliás, fato bastante comum naquela região. Depois de navegar 50 horas direto sem dormir para domar as enormes ondas de 16 metros na virada do ano - repercussão da forte tempestade que arrasou a regata Sidney-Hobart (Aus), com ventos de 150 km/h ``nunca vi uma tempestade assim na minha vida', descreveu, nesta semana um novo temporal tornou a ameaçar Amyr, que já completou dois terços de seu desafio de circunavegar sozinho a Antártica na latitude 50 º - a menor e mais difícil rota navegável. Porém, segundo previsão do Weather Channel, nos próximos dois dias o mar deve acalmar e o navegador terá trégua. Pelo menos de temporais, porque na região em que está navegando atualmente latitude 57º longitude 159º -, uma vasta e solitária faixa oceânica sem ilhas, o grande perigo são os icebergs.
A incidência de icebergs aumentou depois que Amyr cruzou a Convergência Antártica do Pacífico limite entre as águas glaciais antárticas e águas menos frias do norte. Bem perto desta região fica o famoso ``Cemitério do Demônio', batizado pelo almirante Byrd ao atravessar aquelas águas infestadas de icebergs, numa expedição em 1930, onde contou mais de 8 mil icebergs num período de 24 horas. Para piorar, como a água é mais fria ao Sul da Convergência, favorece a formação de densos nevoeiros.
``Com a passagem para o Oceano Pacífico, além da
convivência com as depressões austrais retornam os problemas com os icebergs. Mas essas dificuldades terei de administrar até o fim da viagem. Fico ligado no radar o tempo todo para detectar os icebergs e durante o dia também faço checagens visuais. Apesar da beleza impressionante dos icebergs, é bastante desagradável encontrá-los à noite. Por outro lado, durante o dia eles proporcionam um visual espetacular. O mais impressionante que vi foi durante um tempo bastante ruim e as ondas que batiam na face exposta dele provocavam sucessões de explosões que levantavam burrifos de água de cerca de 100 metros de altura. Esse ice devia ter mais de 45 metros. Imagine o espetáculo dessas explosões', disse Amyr, que em 3 semanas deve ancorar na Península Antártica.





