São Paulo, 20 (AE) - A Klabin, maior fabricante de papel do País, que entregará amanhã os números do balanço de 1999 à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), prepara-se para abandonar a produção de papel imprensa. Em abril ela começa a atuar no setor em conjunto com a norueguesa Norske Skog, na fábrica de Monte Alegre, no Paraná, e dá mais um passo na reestruturação que prevê a concentração das atividades em papéis de embalagem e sanitário.
Para Thomas Mello Souza, analista de papel e celulose da corretora Merrill Lynch, a sociedade entre as duas foi feita para facilitar a entrada dos noruegueses no Brasil. "Depois de três anos a Norske Skog estará mais segura e partirá para vôo solo, enquanto a Klabin poderá dedicar-se ao seu core business, diz.
O contrato assinado entre as duas empresas prevê que a Klabin poderá deixar a parceria após três anos. "Temos a opção de ficar", lembra Josmar Verillo, diretor-geral do grupo. A Klabin produz 100 mil toneladas por ano de papel imprensa. Sua máquina tem capacidade para 130 mil toneladas. A concorrente local é a Papel Imprensa S.A. - Pisa. Mas as empresas brasileiras não produzem quantidade suficiente para abastecer o mercado. As importações, que têm tarifa zero, somaram 360 mil toneladas em 1999, vindas principalmente do Canadá.
A chegada da Norske vai mudar esse quadro. A empresa já iniciou estudos para a construção de uma nova máquina de papel imprensa no Brasil, com capacidade para 300 mil a 350 mil toneladas anuais. Segundo Verillo, estão previstos no projeto investimentos de US$ 450 milhões. Quando a nova máquina estiver pronta, a da Klabin será convertida para a produção de embalagens. E enquanto isso não acontece, a Norske Skog pagará aluguel pelo uso da máquina da Klabin - cerca de US$ 50 milhões em três anos.
Ações - Em seu último relatório de investimento sobre a Klabin, de janeiro, Souza, da Merrill Lynch, reviu sua projeção de valorização das ações de R$ 1,70 para R$ 3,00 em 12 meses, o que representa uma valorização de 76%. No início de 1999 elas estavam cotadas a R$ 0,15. O analista recomenda a compra de papéis. Entre os motivos, diz que a empresa tem se concentrado em seu negócio principal, não tem aumentado as dívidas e tem reduzido custos. No balanço divulgado em setembro, a empresa acumulava dívidas de R$ 1,6 bilhão.
A Klabin hoje atua em celulose, madeira, embalagens, papéis sanitários e de imprensa. "Queremos ter uma coerência estratégica", diz Verillo. Essa coerência, segundo ele, exige que as ações estejam voltadas para papéis sanitários, embalagem e madeira.
Na área de sanitários, a empresa associou-se à Kimberly Clark. Em meados do ano passado, a Klabin-Kimberly Clark, maior fabricante de papéis sanitários do Mercosul, comprou a Lalekla, do grupo Dixie Toga. Em novembro, pagou R$ 37,5 milhões pela Bacraft, fabricante de papéis de higiene do Grupo Suzano.

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