Kireeff pede saída amigável de ocupantes de terreno
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segunda-feira, 01 de junho de 2015
Vítor Ogawa<br>Reportagem Local 
Londrina O prefeito Alexandre Kireeff (PSD) participou de uma reunião no final da tarde de ontem com moradores da ocupação de um terreno de 8 mil m² localizado na Rua Hikoma Udihara, no Jardim Califórnia (zona leste), e pediu que eles saíssem amigavelmente de lá depois de expor que a área é privada.
O terreno foi doado recentemente pelo Lions Club para o Centro de Apoio ao Paciente com Câncer (CAPC), mas há um mês 180 pessoas divididas em 66 famílias construíram casebres de madeira e lona no local. Kireef disse que busca uma retirada amigável dos moradores e explicou a eles que já existe um projeto para a construção do CAPC. Mas as famílias relutam sair de lá sem garantia de que terão um outro espaço para edificar suas moradias.
O funcionário público e presidente da Associação de Moradores do Jardim Nova Conquista, Marcos Luiz dos Santos, afirmou que não há como as pessoas que estão lá saírem "de mão abanando". "Queremos que a prefeitura consiga um terreno para a gente, nos mudamos para lá e construímos as casas com o nosso próprio dinheiro. Tem gente aqui que está há décadas na fila da Cohab (Companhia de Habitação de Londrina) e ainda não foi contemplada", afirmou Santos. O prefeito explicou que a Cohab está sondando terrenos na zona leste, mas para o programa Minha Casa, Minha Vida. "Os terrenos que estamos procurando não são para este tipo de situação. Não podemos oferecer imóveis do Minha Casa Minha Vida para quem está em ocupação irregular", afirmou Kireeff, acrescentando que é "importante que as pessoas caminhem de acordo com as regras".
PROBLEMAS
Questionado sobre problemas como os de Edna da Silva Messias, de 46 anos, funcionária pública que possui o número de inscrição número 596 registrado há mais de 20 anos e que ainda não foi contemplada, o prefeito destacou que são situações recorrentes e que a Cohab tem buscado corrigir por intermédio do recadastramento ano a ano. Kireeff afirmou que a distribuição dos apartamentos obedece a uma regra da territorialidade, que exige a proximidade dos moradores com o local onde foram edificadas as novas moradias.
A moradora Edna rebateu e afirmou que já morou "em metade de Londrina" e nunca foi contemplada seguindo os critérios de territorialidade. "Eu pagava aluguel, mas acho injusto esse critério. Eu arrumei toda a papelada, fui lá na Cohab várias vezes, mas como fica a nossa situação?", questionou.
O autônomo Cristênio Rodrigues Gazola está há 12 anos na fila da Cohab e também acha injusto o critério de territorialidade para ser contemplado. "Eles constroem 1,8 mil habitações no Residencial Vista Bela e 1,2 mil no Residencial Flores do Campo, todos na zona norte, e por que a prefeitura não pode contemplar pessoas da Zona Leste?".
Ele afirmou que tempos atrás a Cohab chegou a oferecer um apartamento para ele, mas os valores das prestações estavam muito elevados para a sua capacidade de pagamento. "Eles queriam que eu pagasse R$ 260 só de prestação e mais R$ 260 de condomínio. E ainda tinha a energia elétrica. Para quem ganha pouco isso é inviável", afirmou.


