Kia Motors construirá fábrica no Brasil para produzir a Besta
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sábado, 14 de agosto de 1999
Por Marli Olmos 
São Paulo, 15 (AE) - O grupo coreano Hyundai, dono da Kia Motors, vai construir uma fábrica no Brasil para produzir o utilitário Besta em novo formato, para 16 passageiros. A escolha da localização está entre Espírito Santo, Bahia ou Itu, no interior de São Paulo. O Espírito Santo é o local mais cotado até agora. A Kia já está mandando máquinas da Coréia para o Brasil e amanhã uma delegação de executivos coreanos estará em São Paulo para os acertos finais com o seu parceiro brasileiro, o grupo Gandini, do empresário José Luiz Gandini.
O projeto Kia ainda não foi divulgado para o governo. A informação da decisão sobre a fábrica, obtida pela AGÊNCIA ESTADO, circula apenas entre os diretores da empresa. O veículo que será produzido na fábrica brasileira é um novo projeto, já apelidado de Besta Brasil. Na verdade, o modelo utilizará o chassi da Topic, veículo do mesmo porte que era fabricado pela Asia Motors. Hoje a Besta importada tem versões para 12 e 15 lugares.
A Asia Motors, que pertencia ao grupo Kia, vem sendo desativada desde que a Hyundai adquiriu a empresa, em 1998. O grupo Kia foi a leilão em 1997 depois de uma séria crise financeira. O governo coreano adquiriu o grupo e depois o vendeu para a Hyundai. Com o enxugamento das operações, a divisão da Asia Motors começou a ser desativada.
A transferência de produtos tende a se tornar um tendência a partir da fusão. Na Coréia, a Hyundai já fechou a fábrica da Asia Motors em Kwangjio. Por isso, as máquinas que estão sendo trazidas para o Brasil podem incluir equipamentos usados para a produção do modelo Topic em Kwangjio.
No Brasil, grande parte dos concessionários Asia já mudaram para Kia. A rede de revendedores Kia aumentou nos últimos meses de 60 para 84 pontos. Dos 24 novos, 18 eram Asia. A fábrica que a Asia Motors anunciou em Camaçari, na Bahia, já deu lugar para o projeto da Ford.
Regime automotivo - Bahia e Espírito Santo são fortes candidatos para receber a nova fábrica porque permitem aos coreanos usufruir dos incentivos fiscais do regime automotivo especial para Norte, Nordeste e Centro-Oeste, relançado pelo governo federal por meio de medida provisória para beneficiar a Ford.
O regime automotivo do Nordeste prevê, além da postergação do ICMS em 10 anos, isenção do PIS e Cofins. Segundo o governo, a isenção destes impostos visa compensar o custo logístico extra de um projeto industrial automotivo instalado em regiões distantes dos parques de fornecimento e de consumo.
Mas Itu, em São Paulo, também entrará na disputa porque o parceiro do projeto, o grupo Gandini, que hoje é o importador da marca Kia, tem ali um terreno destinado para uma fábrica de veículos. Antes de o grupo Kia ir a leilão na Coréia, José Luiz Gandini anunciou a intenção de construir uma fábrica em Itu.
O projeto de Gandini, que previa investimento de RS$ 50 milhões com recursos do próprio grupo brasileiro e tecnologia coreana, previa uma fábrica do caminhão leve Bongo, para cargas de até 1.500 quilos. O Bongo é feito no chassi da Besta. Por isso, na época cogitava-se a fabricação da Besta na mesma planta. Agora, é possível que o Bongo também seja fabricado no Brasil, na plataforma da Topic.
A escolha do lugar e o investimento, desta vez, são por conta dos coreanos da Hyundai. Além da fábrica, eles também estão definindo a responsabilidade pela distribuição da marca Hyundai, disputa que envolve também o grupo Caoa, do empresário Carlos Alberto Oliveira Andrade, importador da japonesa Subaru e dono de diversas concessionárias Ford.
O investimento e capacidade da nova fábrica ainda estão para ser definidos. É possível ainda que o investimento envolva a Argentina. O projeto da Besta Brasil representa um concorrente forte para a Kombi, da Volkswagen. A Besta começou a concorrer com a Kombi à época da abertura. Mas a desvalorização cambial fez o veículo coreano perder espaço. Hoje este veículo custa R$ 29 mil, enquanto que o preço da Kombi gira em torno de R$ 20 mil.


