Paris, 27 (AE) - O presidente do Irã está visitando Paris. Esta é a primeira visita desde a Revolução Islâmica de 1979, quando o aiatolá Khomeini derrubou o xá e instalou sua frenética Repúbliica islâmica. Além disso, a visita do atual presidente, o "hojatoleslam" Khatami, é muito mais importante porque ele lidera a ala moderada dos reformadores.
Por outro lado, é exatamente esta posição de "reformador" que torna sua permanência em Paris uma visita de alto risco. Muito embora seja o presidente eleito com o sufrágio universal em 1997 e tenha obtido uma votação maçiça - 67% dos votos - Khatami precisa disputar com o clã ultra-conservador dos "mullahs" da cidade santa de Qom e com os comerciantes do "Bazaar" de Teerã para impor algumas medidas de "liberalização".
E os radicais quase sempre conseguiram bloquear as promessas feitas por Khatami: a sociedade civil está sempre no "limbo", a democracia caminha com dificuldade e a economia continua muito doente. Pior ainda: em julho, os "bassidji" (milicianos islâmicos) se aproveitaram dos distúrbios estudantis para voltar às ruas e atacar perigosamente Khatami. Da mesma forma, enquanto após a triunfal votação de 1997 Teerã estava inundada de retratos do presidente reformista, hoje estes retratos estão escondidos. Em seu lugar, reaparecem os retratos dos líderes islâmicos mais duros, como Khomeini, seu sucessor Ali Khamenei ou o ex-presidente Hashemi Rafsanjani.
Apesar dos magros resultados obtidos, os jovens, os intelectuais, mantêm sua confiança em Khatami. Os alunos dos colégios enfeitam seus quartos com as fotos do presidente. Existe uma moda jovem que consiste em trazer no dedo da mão um anel azul-turquesa igual ao usado pelo presidente.
É pois este presidente iraniano, considerado uma "figura detestável" pelos círculos islâmicos que ainda dirigem seu país
que chegou à França. Sua viagem está sendo observada de perto por todos os velhos rabugentos de Teerã ou de Qom, na esperança de uma gafe, ou de uma falha - sobretudo se esta falha puder empanar a religião muçulmana.
A visita parece um jogo de esconde-esconde. Ao chegar, Khatami saiu de seu avião com duas horas de atraso. Soube-se depois que a visita de Khatami à sede da UNESCO havia sido cancelada por razões de segurança. Nunca se sabe quem foi que convidou: Chirac sem dúvida.
Seja como for, não é uma visita oficial. É algo diferente...
Os serviços do protocolo trabalharam para evitar qualquer equívoco.
Lembraram-se de que um projeto anterior de visita de Khatami fracassou porque na França simplesmente serve-se vinho às refeições. Mas, então, o que fazer? Oferecer um banquete no palácio do Eliseu, sem uma gota de vinho? Impensável. Resultado: não haverá um jantar oficial.
Além disso, muitos adversários do regime islâmico de Teerã vivem em Paris e na Europa. São os "Mujahedin do Povo", que Teerã considera terroristas. A França bloqueou portanto as fronteiras com a Alemanha e a Itália (a Convenção de Schengen prevê isso) e a polícia fez voltar para trás centenas de iranianos que estavam convergindo para Paris.
Na capital francesa, 39 pessoas foram interpeladas.
E, depois, existe um grande "pomo da discórdia": na primavera, os iranianos prenderam 13 judeus iranianos, acusados de espionagem em favor de Israel e dos Estados Unidos. O que aconteceu com estes judeus?
Serão julgados perante um tribunal revolucionário (sempre feroz), ou perante um tribunal de jurisdição normal? A França e a Europa pediram informações, mas Teerã respondeu que se tratava de um assunto interno iraniano (exatamente o mesmo que disse Jiiang Zemin a Chirac em relação aos prisioneiros políticos chineses). Existe o receio de que haja manifestações em Paris. Mas o que poderá dizer o pobre Khatami, pois, com toda a certeza
os judeus foram presos por seus inimigos fundamentalistas?
A França não tem medo de receber hóspedes complicados: há alguns dias, foi a vez do líder chinês. Hoje é a do líder iraniano. Mas existe uma grande diferença entre os dois presidentes: Jiang Zemim é o responsável direto pela "chapa de chumbo" que comprime o país e o Tibete. Ao contrário, ao receber Khatami, a França pretende elevar o prestígio de um homem que encarna no país dos "aiatolás" a abertura, o progresso, a liberdade, o intercâmbio e a democracia".

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