Teerã, 09 (AE-REUTERS) - O presidente moderado do Irã, Mohammad Khatami, deu hoje (09) seu maior passo para estender sua autoridade sobre a poderosa polícia secreta iraniana, depois de uma onda de assassinatos de dissidentes que pôs na defensiva seus rivais conservadores.
Oficialmente, a TV estatal informou que Khatami aceitou a demissão do Ministro da Inteligência, Qorbanali Dorri Najafabadi - responsável tanto pelo serviço de segurança interna quanto pela espionagem no exterior. Segundo a informação da TV, Khatami pediu ao ministro demissionário que permanecesse no cargo até que ele escolhesse alguém para sucedê-lo.
Fontes independentes, porém, asseguraram que o presidente já escolheu o substituto de Najafabadi há vários dias. Trata-se de Ali Yunesi, chefe dos tribunais militares e líder da comissão especial formada por Khatami para investigar os misteriosos assassinatos de políticos nacionalistas e intelectuais. Assim como Najafabadi, Yunesi é um xeque muçulmano xiita.
Sob o sistema islâmico do Irã, alguns poderes-chaves do governo - como o militar, a política exterior e questões de segurança - estão subordinados ao clero e só podem ser exercidos por religiosos xiitas. Ao nomear um de seus aliados para a chefia dos serviços de inteligência, Khatami pode reforçar substancialmente sua posição diante dos conservadores.
Na segunda-feira, num claro sinal de que a substituição já vinha sendo negociada, um dos líderes da maioria conservadora do Parlamento iraniano, Mohammad Reza Bahoner, afirmou que os parlamentares não obstruiriam nenhuma tentativa de Khatami para substituir Najafabadi.
Um dos líderes do sequestro da Embaixada dos EUA em Teerã há 20 anos, Abbas Abdi, foi agredido por um grupo de radicais conservadores na segunda-feira, depois de fazer um discurso na cidade sagrada de Qom. Abdi é um dos maiores defensores públicos das reformas empreendidas por Khatami. Em agosto, depois de encontrar-se com um dos ex-reféns da embaixada, ele disse que o Irã estava conseguindo transformar-se de uma ditadura numa democracia emergente rapidamente. Nos 444 dias que duraram a tomada da embaixada, os terroristas iranianos mantiveram 52 reféns e conseguiram depor o xá Reza Pahlevi.

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