Teerã, 21 (AE-AP) - O presidente moderado Mohammad Khatami e seus aliados, acusados pelos comandantes dos Guardiães da Revolução de falhar na defesa do sistema islâmico durante os protestos estudantis da semana passada no Irã, contra-atacaram hoje (21), chamando à atenção esse corpo de elite da Forças Armadas e indicando que podem fechar os jornais conservadores que publicaram uma carta "confidencial" dos militares ao dirigente.
Na carta, com data de 13 de julho - o pico dos piores protestos no país desde a Revolução Islâmica de 1979 -, os comandantes culparam Khatami pelas manifestações (nas quais chegou a ser pedida a renúncia do líder máximo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei) e advertiram que sua paciência com o presidente está acabando, o que provocou grandes temores de golpe de Estado. "Não podemos esperar mais - se os problemas do país não forem enfrentados convenientemente, não toleraremos a situação", afirmam os signatários.
Hoje, o Ministério da Cultura e Orientação Islâmica assinalou que a carta a Khatami estava classificada como "top secret" e sua publicação, segunda-feira, por três jornais linha-dura viola a lei. O ministério informou que enviou o caso a um comitê, prelúdio para uma ação legal que pode fechar os diários.

mockup