KGB recrutou mais de 100 espiões franceses em 71 e 75 Do correspondente REALI JÚNIOR
Paris, 14 (AE) - A KGB (serviço secreto da antiga União Soviética) recrutou 48 espiões franceses em 1971 e 55 em 1974.
Muito próximo do ex-presidente François Mitterrand, um jornalista (cujo nome de guerra era Gilbert ou Giles), recrutado pelos soviéticos em 1955, elegeu-se deputado e fez carreira política. A KGB não escondeu sua decepção em 1981 ao constatar que ele não fazia parte dos membros do primeiro governo de esquerda do pós-guerra, chefiado por Mitterrand.
O jornal Le Monde, a agência France Presse e o semanário LExpress também teriam sofrido infiltração de agentes da KGB nos anos 70. Essas informações fazem parte do maior conjunto de documentos já revelados sobre as atividades do KGB na Europa Ocidental durante o período da guerra fria.
Uma síntese dos dados foi transmitidas aos serviços de informações britânicos por um dos responsáveis pelos arquivos do antigo serviço secreto soviético, Vassili Mitrokhim. Ele passou as informações aos britânicos em 1992, quando se encontrava na Letônia. Antes ofereceu o material à CIA (Agência Central de Informações dos EUA) que não se mostrou muito interessada.
O ministro britânico da Defesa britânico, Jack Strauss, já reconheceu oficialmente que Mitrokhim teve acesso a documentos que se encontram "no coração das atividades de espionagem dos soviéticos na Europa durante a guerra fria".
Os dados deram origem a um livro intitulado The Mitrokhim Archive - redigido sob a orientação do historiador Christopher Andrew - que está sendo publicado na Inglaterra. Será lançado em breve na França pelas edições Fayard.
Mais uma vez, as atividades passadas de certos colaboradores de Mitterrand são contraditórias. É o caso do ex-ministro da Defesa Charles Hernu, acusado depois de morto de ter sido agente soviético. Teria sido recrutado via Bucareste (capital da Romênia), pelo serviço secreto romeno.
O livro destaca ainda que o jornalista André Ulman - fundador, com Mitterrand, do Movimento dos Prisioneiros de Guerra - foi recrutado em 1946 sob o nome de "Durand".
Uma das revelações desses arquivos diz respeito a Melita Norwood, britânica de 87 anos de idade, tida até agora como a Mata Hari inglesa. Mas ela não chegou a ser "a maior espiã vermelha de toda a história do Reino Unido". Só esses casos são suficientes para explicar a repercussão da obra de 996 páginas nos meios políticos e na mídia.





