Londres, 17 (AE) - O ex-ministro da Economia da Grã-Bretanha, Kenneth Clarke, que atualmente é o vice-presidente da British American Tobacco (BAT), disse que vai conduzir uma investigação interna na empresa para averiguar as acusações de que funcionários sabiam que cigarros estavam sendo vendidos a distribuidores ligados a contrabandistas na América do Sul e na ásia, informa hoje (17) o jornal The Daily Telegraph.
Clarke foi interrogado ontem por parlamentares britânicos sobre as possíveis relações entre a BAT e contrabandistas. Ele negou que a BAT tivesse ligação direta com o contrabando.
A Comissão de Saúde do Parlamento britânico realizou ontem uma sessão de emergência para questionar diretores da BAT (BAT), entre outras coisas, sobre a suspeita de que a subsidiária da empresa no Brasil, a Souza Cruz, esteve envolvida em atividades de contrabando.
Documento da própria BAT datado de 1993 e entregue aos parlamentares pelo grupo antitabagista Action on Smoking and Health (ASH) sugere que a Souza Cruz aumentou sua participação de mercado através de DNP, Duty Not Paid - o termo oficial para contrabando. O autor do memorando é Keith Dunt, diretor para a América Latina da BAT na época e hoje membro do conselho da empresa.
A ASH acusa a empresa de ter "encorajado ou desenvolvido novas rotas de contrabando, particularmente em áreas onde a fiscalização oficial era fraca ou corrupta". Representantes da ASH disseram que "existem poucas provas de que a própria BAT contrabandeava cigarros". Mas o grupo lobista afirmou que há provas de que a empresa estava se beneficiando do comércio ilegal.
Clark disse que vai examinar os documentos e questionar os funcionários citados. Ele prometeu aos parlamentares que avaliaria se os "controles internos da BAT foram rompidos".
"O contrabando prejudica nossos interesses comerciais. Se recebemos uma reclamação sobre o comportamento da empresa, ela será investigada. A comissão de auditoria vai checar se os controles foram rompidos e se há pessoas que não estão respeitando as regras. Nós somos as vítimas do contrabando... por algum meio que foge ao nosso controle. Dizer que os nossos produtos são abastecidos no contrabando é uma coisa, mas afirmar que a BAT sabia disso é totalmente diferente", disse Clarke.
O presidente da BAT, Martin Broughton, também negou as acusações da ASH. A íntegra das acusaçoes da ASH contra a BAT pode ser encontrada no site http://www.ash.org.uk/smuggling/submission.html .

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