Kennedy Jr. pilotava o próprio avião e estava com pé engessado
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sexta-feira, 16 de julho de 1999
Por PAULO SOTERO, Correspondente 
Washington, 17 (AE) Até o início da tarde de hoje (17)
continuava desaparecido e, presumivelmente, perdido no Atlântico um pequeno avião monomotor pilotado por John F. Kennedy Jr., de 38 anos, o filho mais novo do trigésimo quinto presidente dos Estados Unidos. Uma intensa busca foi lançada pela Guarda Costeira e pela Força Aérea americana, envolvendo cerca de trinta embarcações e aviões e três centenas de soldados.
O alerta que desencadeou a operação para localizar o avião foi dado na noite de ontem por um amigo de Kennedy, que foi esperá-lo no aeroporto de Marthas Vineyard, uma ilha na costa sul de Massachusetts.
Um piloto com pouca experiência, que recebeu licença há apenas um ano, Kennedy decolou no comando de seu Piper Saratoga do aeroporto municipal de Fairfield, Nova Jersey, às 20h38 de ontem.
Com ele viajavam sua mulher, Carolyn, uma cunhada e um instrutor de vôo, aparentemente incluído no grupo porque algumas semanas atrás Kennedy sofreu um acidente no pouso de um vôo de asa delta e estava com um pé engessado.
Kennedy Jr. era esperado hoje cedo em Hyannisport, um balneário no Cabo Cod, em Massachusets, situado a apenas 20 minutos de vôo de Marthas Vineyard, para o casamento de sua prima Rory, a filha mais nova do ex-senador Robert F. Kennedy.
Com o que deveria ser uma festa subitamente transformado em mais uma das muitas tragédias que perseguem o mais famoso clã político dos EUA, o casamento foi adiado.
Conhecido como "John John" pelos americanos, por causa de um erro de um repórter, Kennedy Jr. nasceu dois meses depois de seu pai tomar posse como presidente, em 1961.
Sua foto batendo continência no funeral de seu pai, que foi assassinado a tiros em Dallas, em novembro de 1963, tornou-se uma das imagens mais marcantes da história americana nesta metade do século e contribuiu para preservar a aura de estoicismo da família.
Ao contrário de vários de seus primos, Kennedy Jr. não se interessou pela carreira política. Formado em direito, ele trabalhou durante dois anos como promotor público em Nova York, onde vivia. Em 1995, lançou a revista George, um mensário político alternativo que ganhou algum espaço na imprensa, mais por causa da fama do dono do que de sua qualidade editorial.
De acordo com o diretor do aeroporto de Fairfield, Kennedy não submeteu um plano de vôo, o que não é obrigado a fazer, embora a área onde viajava, situada entre Nova York e Boston, tenha o mais intenso tráfego aéreo do planeta.
A temperatura era alta e a visibilidade apenas regular ontem à noite, dificultada por um densa névoa criada pela evaporação da água do mar sob o calor intenso. "Depois do pôr do sol, o céu ficou preto e passou a ser difícil se orientar", disse o piloto Bob Arnot, que vou numa rota semelhante à que se acredita que Kennedy tenha seguido.
As buscas concentram-se em duas áreas. Uma delas está situada próxima à extremidade norte de Long Island. Um helicóptero e um barco da Guarda Costeira foram despachado para lá na noite de ontem para tentar captar um sinal de rádio que, segundo informações não confirmadas, teria sido emitido durante algumas horas e silenciado no início da madrugada de hoje.
A outra área das buscas está a cerca de 8 milhas náuticas, ou aproximadamente 15 quilômetros a oeste de Marthas Vyneard. Segundo o tenente Craig Jamarillo, da estação da Guarda Costeira em Woods Hole, Massachusetts, o Centro de Coordenação de Resgate da Força Aérea, sediado em Norfolk, Virginia, informou durante a madrugada de hoje que o Piper pilotado por Kennedy desapareceu dos radares do controladores do espaço aéreo nessa área, provavelmente sobre as águas do estreito de Rhode Island, pouso depois de 21h30 de ontem.
O novo baque para a família Kennedy coincide com o aniversário de uma tragédia que liquidou com as chances do principal sobrevivente do clã de chegar à presidência dos EUA. Trinta anos atrás amanhã, um carro dirigido pelo senador Edward Kennedy, irmão mais novo do ex-presidente e atual patriarca da família, caiu de uma ponte na ilha de Chappaquiddick, perto de Marthas Vyneyard.
Dez horas mais tarde, uma jovem de 28 anos, Mary Jo Kopechne, foi encontrada morta no banco traseiro do automóvel.
O presidente Bill Clinton, que passa o fim de semana em Camp David, nas montanhas de Maryland, foi informado pela manhã do desaparecimento de John Kennedy Jr. e de sua mulher e acompanhantes.
"Nossa orações e pensamentos estão com as famílias dos que estavam à bordo", disse Clinton, num breve comunicado.


