Kasyanov diz que financiar Rússia e ajudar democracia
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 31 de janeiro de 2000
Por Rolf Kuntz 
Davos, Suíça, 31 (AE) - A economia russa poderá crescer 2% neste ano, repetindo o desempenho de 1999, mas o governo precisa de financiamento externo, disse hoje o vice-primeiro-ministro e ministro das Finanças, Mikhail Kasyanov. O mercado interno de capitais praticamente inexiste e o acesso ao mercado internacional foi interrompido em 1998, durante a crise. Resta o apoio oficial. Se faltarem todos esses meios, o Tesouro será forçado a pedir dinheiro ao Banco Central, advertiu Kasyanov: isso causará inflação, o padrão de vida cairá e ficará mais difícil "consolidar a sociedade" (isto é, a democracia). Deixar de apoiar a Rússia, segundo afirmou, é perder a chance de apoiar a democratização do país.
Ao usar esse argumento, o ministro repetiu, sem citar, um raciocínio usado por financistas ocidentais nos dias anteriores: ajudar a Rússia a vencer a crise é questão de prudência política. Só George Soros destoou, sugerindo o abandono do país pelo FMI.
No último ano, segundo Kasyanov, o desempenho econômico russo foi melhor do que o previsto. O Produto Interno Bruto aumentou 2%, embora as projeções apontassem uma contração de 2%. Havia-se estimado uma inflação de 50%, mas a real ficou em 36%. Além disso, houve um superávit primário equivalente a 2% do PIB. Alíquotas de impostos foram reduzidas, mas a receita cresceu e superou o objetivo. As metas monetárias e fiscais combinadas com o FMI foram ultrapassadas, havia dito um dia antes o ministro. Mas a situação, acrescentou, ainda é de fragilidade, por causa da escassez de crédito.
O resultado primário é calculado sem a conta de juros. Se as operações financeiras do Tesouro fossem consideradas, o quadro seria bem menos positivo. Quando houve a desvalorização, a dívida pública saltou repentinamente de 60% para mais de 100% do PIB.
Uma missão do FMI deve concluir em breve uma revisão das contas do governo russo, para avaliar o andamento do programa de ajuste. Até agora, segundo Kasyanov, o país só recebeu uma parcela de US$ 600 milhões do financiamento contratado com o Fundo.


