Kapaz troca tucanos pelo PPS de Ciro Gomes
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quinta-feira, 26 de agosto de 1999
Por Rosa Costa 
São Paulo, 27 (AE) - O deputado federal Émerson Kapaz, vice-líder do PSDB na Câmara, está de malas prontas para deixar o ninho tucano e filiar-se ao PPS. Kapaz tem reunião segunda-feira, em São Paulo, com o presidente nacional do PPS, senador Roberto Freire, e com o ex-ministro Ciro Gomes, virtual candidato do partido à Presidência, em 2002. "É uma decisão muito difícil para mim, mas não posso negar que as conversas com o PPS estão bem adiantadas", afirmou o deputado. "Há opções na vida que ou a gente faz agora ou terá problemas mais pra frente."
Crítico contumaz da condução da política econômica e da aliança com o PFL, Kapaz acha que o PSDB vem gradativamente perdendo a identidade. "O maior problema do PSDB, hoje, é não ser coerente com o projeto que tem como perspectiva uma visão de centro-esquerda", avaliou o deputado. Secretário de Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento Econômico no primeiro mandato de Mário Covas, Kapaz conversou hoje com o governador, no Palácio dos Bandeirantes. Covas tem liderado o coro dos descontentes dentro do PSDB e o PPS paulista, em processo de organização, virou seu aliado.
O deputado também tem razões mais pragmáticas para mudar de partido.O prazo final de filiação para quem vai disputar as eleições municipais é 30 de setembro e Kapaz quer concorrer à Prefeitura de São Paulo no ano que vem. Mas não tem chance de entrar no páreo pelo PSDB. Motivo: o candidato tucano à cadeira de Celso Pitta deverá ser mesmo o vice-governador Geraldo Alckmin. No PPS, Kapaz não vê adversários pela frente.
"Ele seria um ótimo candidato", comemorou o deputado estadual Arnaldo Jardim (PPS), um dos responsáveis pela organização da sigla socialista no Estado.
Nas últimas semanas, o PPS de Ciro vem investindo nas bases do PSDB. "Sei que o momento é delicado, mas o Brasil precisa de mais ousadia", argumentou Kapaz, numa crítica ao presidente Fernando Henrique Cardoso. A crise enfrentada pelo País tem atingido em cheio o partido dos tucanos e o deputado não acha justo que seus integrantes paguem pelas dificuldades encontradas para a sustentação da aliança no Palácio do Planalto.
Além de Kapaz, o novo objeto do desejo do PPS é o senador Artur da Távola (RJ), que deixou recentemente o PSDB. Távola ainda não decidiu para qual legenda vai, mas já avisou que não quer ficar na oposição. Carlos Wilson (PE), outro senador tucano que saiu do partido, filiou-se ao PTB. Mais uma baixa ocorreu na quinta-feira, quando o prefeito de São Bernardo, Maurício Soares
desligou-se do PSDB atirando em Fernando Henrique, mas elogiando Covas. Soares também foi para o PPS.


