BRASÍLIA - O ministro Antônio Kandir (Planejamento) prometeu ontem aumentar em 50% os recursos do Programa Nacional de Agricultura Familiar (Pronaf) em relação a 96. Segundo ele, o programa terá este ano R$ 1,5 bilhão. A medida atende parte das reivindicações do protesto ‘‘4º Grito da Terra, Brasil’’, promovido desde anteontem em Brasília por 1.500 manifestantes, a maioria agricultores, além de seringueiros, pescadores e índios.
O aumento para o Pronaf foi anunciado durante reunião do ministro com o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Francisco Urbano, e o prefeito Antônio Marangon (PT), de Palmeira das Missões (RS). Eles entregaram carta de prefeitos, vereadores e deputados estaduais que apóiam as reivindicações do protesto a favor da agricultura familiar e da reforma agrária.
‘‘Essas são duas das 42 prioridades do Programa Brasil em Ação, lançado em agosto de 96 pelo governo federal’’, disse o ministro. Urbano afirmou que conduz a entidade sem conotação partidária, apesar de ser membro do diretório nacional do PSDB, partido do presidente Fernando Henrique Cardoso. ‘‘Se essa promessa não for concretizada haverá ocupações nas agências bancárias em todo País e também aqui em Brasília’’, disse o líder da Contag.
Os manifestantes fizeram passeata contra a impunidade no campo e promoveram protestos em frente ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao Ministério da Justiça.
O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho, tentou lavar a estátua que simboliza a Justiça em frente ao STF. Policiais militares e seguranças do tribunal tentaram impedir a lavagem da estátua. Em meio ao empurra-empurra com os policiais, Vicentinho conseguiu jogar na estátua apenas um dos quatro baldes de água que seriam usados para a lavagem. ‘‘Isso é um gesto carinhoso para lavar a Justiça’’, disse Vicentinho. (Leia mais sobre o assunto no caderno Folha Paraná)

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