Brasília, 22 (AE) - O recesso parlamentar deste fim de ano não interrompeu o processo de negociação da reforma tributária. Destacado pela cúpula da comissão especial da Câmara que aprecia essa proposta, o deputado Antônio Kandir (PSDB-SP) permaneceu discretamente em Brasília para discutir de maneira informal com graduados integrantes do Poder Executivo, no Ministério da Fazenda e no Palácio do Planalto, as divergências básicas do governo em relação ao substitutivo aprovado na comissão.
O roteiro dessas conversas é a contra-proposta formalizada pelos secretários estaduais de Fazenda com o aval do Ministério da Fazenda e as críticas feitas pela comissão especial a alguns pontos deste texto. Na avaliação de integrantes da comissão, existem dois caminhos para a aprovação da reforma tributária no Congresso.
O mais difícil é o do confronto com o governo federal, que obrigará os parlamentares empenhados na aprovação da reforma a "matar um leão por dia". O segundo, mais rápido, eficaz e seguro, na opinião deles, é fazer "um grande acordo", que passa por um cuidadoso processo de entendimentos políticos.
A nota do Ministério da Fazenda, admitindo aperfeiçoamentos na contra-proposta, mostra que esse processo está em curso, embora não seja uma tarefa simples. Os integrantes da comissão especial reconhecem que o sucesso da negociação dependerá de competência técnica e habilidade política e as conversas de Kandir têm a função de "preparar o terreno" para as negociações formais que serão reiniciadas no dia 10, quando está prevista a próxima reunião da comissão tripartite (deputados e representantes dos governos federal e estaduais).
Para isso, o deputado tucano, que está convencido de que a reforma tributária será aprovada em 2000, permanecerá em Brasília até mesmo nas comemorações do Natal e Ano Novo.

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