Kaiser pode pedir ao Cade veto à fusão
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terça-feira, 06 de julho de 1999
Por Mariângela Gallucci 
Brasília, 7 (AE) - A diretoria da fabricante de cervejas Kaiser vai se reunir amanhã(8) com o advogado José Ignácio Gonzaga Franceschini para discutir a associação entre suas concorrentes Antarctica e Brahma, anunciada na semana passada. Franceschini disse hoje em Brasília que é provável que a Kaiser peça ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para que a operação seja vetada.
O advogado afirmou que as justificativas para a operação publicadas nos jornais são muito frágeis. Ele qualificou como "ufanismo" a intenção das duas empresas de formar uma companhia multinacional brasileira. Franceschini disse que atualmente é muito difícil encontrar produtos das duas empresas no exterior e que, por esse motivo, a conquista do mercado internacional também é complexa.
Indagado sobre as formas como a associação poderia prejudicar a concorrência, o advogado citou um exemplo. Disse que a empresa pode usar marcas como fator de guerrilha, colocando os preços da Antarctica acima da Kaiser, mas os da Brahma abaixo dos produtos da empresa defendida por ele.
Segundo previsões do advogado, possivelmente a operação provocará demissões de funcionários das empresas envolvidas. Franceschini disse que essas demissões deverão ocorrer após o julgamento da operação pelo Cade "para não atrapalhar". Ele disse que depois de concluída a fusão de fato "vai sobrar gente".
O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou hoje por unanimidade e sem restrições a compra pela Coca-Cola de negócios da Cadbury Schweppes PLC, que fabrica a água tônica Schweppes e refrigerantes como Crush. Os conselheiros do Cade consideraram que a operação, que foi mundial e custou US$ 1,85 bilhão, não representou uma concentração no mercado.


