Kafelinikov muda humor e busca bi na Austrália
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quarta-feira, 26 de janeiro de 2000
Por Chiquinho Leite Moreira 
Melbourne, Austrália, 26 (AE) - Campeão do ano passado, o tenista russo Yevgeny Kafelnikov está bem próximo de conquistar o bicampeonato do Aberto da Austrália. Com mais uma atuação tranquila no campeonato, derrotou o marroquino Younes El Aynaoui por 6/0, 6/3 e 7/6 (4) e chega as semifinais sem ter perdido ainda um set sequer. Talvez por isso, o sempre sisudo e mau hurmorado Kafelnikov deixou de lado a cara de poucos amigos e, descontraído, mostrou-se confiante na possibilidade de levantar o troféu em Melbourne. Sua mais forte ameaça, porém, está na próxima partida: enfrenta o sueco Magnus Norman, 15.º do mundo, e que ao superar o alemão Nicolas Kiefer por 3 a 1 (3/6, 6/3, 6/1 e 7/5 (4) comprovou estar na melhor forma de sua carreira e em condições de superar qualquer um dos favoritos na Austrália.
Kafelinikov até agora não pegou ninguém capaz de de ameaçá-lo seriamente na competição. O tenista russo disse que chegou à Austrália sem muitas pretensões. Esticou muito as férias de final de ano, passou bastante tempo esquiando e não acreditava que poderia ir tão longe no torneio. Agora, porém, está motivado a levantar o bicampeonato.
"Tenho ainda dois jogos pela frente", disse. "Mas pela primeira vez neste campeonato, durante a partida contra El Aynaoui, senti que posso conquistar o título." Descontraído, Kafelinikov aceitou falar num assunto que costumava deixá-lo irritado: a falta de patrocínio, apesar de ser o número dois do mundo. Tanto é que, pelo segundo ano consecutivo, joga na Austrália com roupa branca, sem marcas, e, desta vez, resolveu aparecer com uma camisa polo de golfe.
"Preciso melhorar o meu golfe e como estou perdendo muitas bolinhas, estou com esta camisa da Maxfli para ver se me mandam algumas bolas", ironizou Kafelinikov. "Na verdade, estou jogando com a roupa que mais me agrada, uso tênis Nike porque gosto, como amanhã posso me sentir melhor com outra marca".
Com US$ 14 milhões em prêmios já conquistados na carreira, Kafelnikov já se julga rico o suficiente para não se perturbar na busca de patrocínios. Disse que há mais de um ano não é procurado por nenhum interessado. "Não importa, agora estou investindo no golfe", voltou a ironizar. "Tenho jogado todos os dias aqui na Austrália, até mesmo em dias de jogos", prosseguiu. "Deu certo e vou continuar tentando melhor meu golfe."
CARDÍACO - O próximo adversário de Kafelnikov é o sueco Magnus Norman, jogador que tem mostrado um incrível preparo físico, uma regularidade enorme em seu jogo e uma vontade, acima do comum, de vencer. Pela primeira vez na carreira, este jogador nascido em 30 de maio de 1976, chega a uma semifinal de Grand Slam. Talvez já pudesse ter feito outras boas campanhas, não fosse um sério problema cardíaco, com falta de ritmo na frequência. Para solucionar esta deficiência, Norman, há pouco mais de um ano, passou por uma cirurgia de cinco horas. Sua mãe, em razão do mesmo problema, abandonou a carreira de nadadora.
Sonho de criança - Aos 19 anos, Martina Hingis garante estar preparada para realizar um sonho de criança: fechar o Grand Slam no mesmo ano, ou seja, conquistar os títulos dos quatro mais importantes torneios, Australian Open, Roland Garros
Wimbledon e US Open. Ambiciosa, quer ainda mais. Espera também coroar esta temporada com a medalha de ouro nos Jogos de Sydney.
Hingis, hoje, passou pela espanhola Arantxa Sanchez por 6/1 e 6/1, enquanto Conchita Martinez teve de apelar para as bolas altas e usar de muita catimba para derrotar a russa Elena Likotseva por 6/3, 4/6 e 9/7. As semifinais femininas reúnem Hingis diante de Martinez e Jennifer Capriati com Lindsay Davenport.


