Trípoli, 19 (AE-REUTERS) - O líder da Líbia, Muamar Kadafi, concordou hoje (19) em enviar para julgamento na Holanda os dois líbios suspeitos de terem cometido o atentado contra um avião da Pan Am que voava sobre a cidade escocesa de Lockerbie, em 1988, informou o presidente sul-africano, Nelson Mandela, principal mediador do caso. Na explosão morreram 270 pessoas.
"A Líbia garantiu que os dois suspeitos serão entregues ao secretário-geral da ONU, Kofi Annan, para que compareçam à Justiça no mais tardar em 6 de abril", disse Mandela. Uma carta com os termos do compromisso está sendo enviada a Annan, que, em Nova York, manifestou sua satisfação com o acordo.
Kadafi afirmou ter obtido "todas as garantias" que havia requerido para o processo contra Abdel Basset Ali el-Megrahi e Al Amin Jalifa Fhimah, acusados de ter colocado uma bomba no Boeing 747. Eles serão julgados por juízes escoceses na Holanda e, se condenados, cumprirão pena na Escócia, sob supervisão da ONU.
"As sanções impostas à Líbia serão suspensas tão logo desembarquem na Holanda e serão levantadas 90 dias depois de o secretário-geral da ONU comunicar formalmente o Conselho de Segurança", disse Kadafi, enfatizando que o acordo foi alcançado mediante a intermediação de Mandela e do príncipe saudita Bandar ben Sultan ben Abdel Aziz, enviado do rei Fahd.
A ONU impôs as sanções em 1992 porque ele se recusou a entregar Al-Megrahi e Fhimah para os EUA ou Grã-Bretanha, alegando que ali não teriam um julgamento justo.
Os embaixadores dos EUA e da Grã-Bretanha reagiram com cautela, dizendo que primeiro precisam ver os termos da carta a Annan e a confirmação da entrega dos suspeitos.

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