Justiça transfere GM acusado de envolvimento na morte de jovem
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segunda-feira, 23 de julho de 2018
Rafael Machado<br>Grupo Folha 
A defesa do guarda municipal Michael de Souza Garcia, 34 anos, conseguiu na Justiça a transferência dele da PEL 1 (Penitenciária Estadual de Londrina) para alguma unidade do 3º Grupamento do Corpo de Bombeiros, não revelada por motivos de segurança. A alegação é que Garcia "poderia sofrer represálias por atuar no ramo de segurança", como informou o advogado Guilherme Maistro Tenório. O agente e mais outro servidor da corporação, Fernando Ferreira das Neves, 42, foram denunciados por homicídio duplamente qualificado e fraude processual pela morte do estudante Matheus Evangelista, 18, em março deste ano.
Neves continua detido na PEL 2. A advogada Mariana Rodrigues, que defende o funcionário público, requereu o mesmo benefício dado pela Justiça à Garcia. Outro guarda, João Victor Goés Arruda, não chegou a ser preso, mas está envolvido no mesmo processo. A Polícia Civil não tem dúvidas de que o crime aconteceu enquanto o jovem participava de uma festa com os amigos no jardim Porto Seguro, zona norte. O disparo teria acontecido quando o grupo foi abordado pelos GMs.

Os desembargadores Miguel Kfouri Neto e Clayton Camargo, da 1ª Câmara Criminal do TJ-PR (Tribunal de Justiça do Paraná), entenderam que Garcia "acha-se exposto ao risco de algum atentado se permanecer em presídio comum". A intenção inicial da defesa era a concessão da liberdade, o que não ocorreu. Os advogados justificaram que "não há provas de que o réu colocará em risco a ordem pública, prejudicando assim a instrução criminal ou frustrará a aplicação da lei penal. As testemunhas que possivelmente relataram sofrer ameaça foram totalmente desconexas em seus depoimentos".
De acordo com a Delegacia de Homicídios, que conduziu as investigações, Michael Garcia efetuou um tiro de advertência durante a abordagem, sendo seguido por outro disparo de Fernando Neves, este que teria atingido Evangelista. Depois disso, a polícia acredita que os guardas tenham adulterado a cena do crime, não delimitando o local para a realização da perícia. Eles também estão investigados em um procedimento administrativo interno da Secretaria de Defesa Social. A apuração, a cargo da Corregedoria do órgão, foi oficializada no dia 5 de junho, quase três meses após a morte do estudante.
Na semana passada, o juiz da 1ª Vara da Fazenda Pública de Londrina, Marcos José Vieira, concedeu liminar obrigando a Prefeitura de Londrina a pagar pensão para os pais de Matheus Evangelista. O magistrado estipulou um valor mensal referente a dois terços de um salário mínimo, o que corresponde a pouco mais de R$ 600. Segundo o advogado Mário Barbosa, o rapaz recebia R$ 1,5 mil quando trabalhava em uma marcenaria. A primeira audiência do caso foi marcada para 8 de agosto.
(atualizado às 12h20)


