O enchimento do lago da Hidrelétrica de Porto Primavera que deveria ter sido iniciado ontem, ao meio-dia, foi suspenso. A liminar que permitia a operação foi cassada pelo juiz Roberto Gomes de Lemos Santos, da cidade de Bataguaçu na margem direita do Rio Paraná, no Mato Grosso do Sul.
O juiz considerou insatifatórios os detalhes sobre o acordo feito entre a Companhia Energética de São Paulo (Cesp) e as localidades afetadas pela inundação do lago da hidrelétrica. No caso de Bataguaçu, Lemos Santos interpretou como não satisfatoriamente esclarecida a situação de moradores ribeirinhos.
A suspensão da liminar obtida pela Cesp complica ainda mais a história de Porto Primavera, recentemente rebatizada como Engenheiro Sérgio Motta. A hidrelétrica, iniciada sob regime militar em 1980, está com 12 anos de atraso. Com capacidade para gerar 1,8 milhão de quilowatts de energia, ela está com custos quatro vezes maiores que a previsão inicial.
Reconhecida como superada do ponto de vista ambiental mesmo pela Cesp, a hidrelétrica inundará sítios arqueológicos e reservas florestais de rica biodiversidade nas duas margens do Rio Paraná, especialmente no Mato Grosso do Sul, onde as terras são mais baixas. Em Presidente Epitácio, a 700 quilômetros de São Paulo, ela vai invadir uma área tradicional de lazer, o Figueiral. Com árvores centenárias, essa região já está completamente desfigurada.
A Cesp não tem data para o reinício da operação do enchimento do lago de 2.250 quilômetros quadrados, para estocagem de 20 bilhões de metros cúbicos de água.

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