Belém, 16 (AE) - A eleição da nova diretoria da Associação de Cabos e Soldados da Polícia Militar e Corpo de Bombeiros Militar do Pará virou caso de polícia e está na Justiça. A juíza da 15ª Vara Cível de Belém, Dahil Paraense de Souza, acatou um pedido de liminar, favorável a uma das seis chapas impedida de inscrever-se, determinando hoje a suspensão dos trabalhos.
Houve descontentamento entre os associados, que trocaram ofensas e ameaças. Até armas foram exibidas. Duas guarnições de policiais civis e militares foram chamadas no sábado pela manhã na sede da entidade, no bairro do Marco, para evitar um confronto entre os integrantes das chapas que disputam o controle da associação e simpatizantes da atual diretoria, presidida pelo cabo Antonio Carlos de Moraes Cordeiro.
Segundo o cabo Gilmar Vicente da Silva, da chapa Refazendo, alijada da disputa, a associação está entregue a uma administração que se nega a prestar contas sobre o destino de R$ 1,8 milhão da contribuição dos associados, além de o presidente estar sendo acusado de enriquecimento ilícito. "O presidente quer completar o terceiro mandato consecutivo para praticar novas maracutaias", atacou.
O soldado Emanoel Mendes, candidato a presidente pela chapa Reintegração, exibiu um dossiê contra Cordeiro. "Ele tem um processo por estelionato e outros dois por apropriação indébita de verbas da associação correndo na Justiça". Mendes afirma que sua chapa é a mais prejudicada na eleição."O Cordeiro indeferiu o registro e já prometeu me matar pelas denúncias que tenho feito."
O presidente da associação não foi localizado para falar sobre a confusão. Um soldado integrante da atual diretoria informou que ele havia deixado o local da eleição antes da chegada da polícia e do oficial de Justiça. "O Cordeiro não está nem aí para a histeria desse pessoal."