Justiça suspende audiência do caso Colli
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quinta-feira, 22 de agosto de 2013
Lucio Flávio Cruz e Lúcio Flávio Moura<br>Reportagem Local 
Londrina A juíza da 6ª Vara Criminal de Londrina, Zilda Romero, suspendeu ontem à tarde a primeira audiência de julgamento do advogado Marcos Colli atendendo um pedido da defesa, que alegou cerceamento da ampla defesa do réu. O ex-presidente do Partido Verde (PV) é acusado de estupro de vulnerável e de fotografar e filmar três meninas de 6, 9 e 13 anos em poses sexuais e pornográficas. A continuidade das oitivas será na próxima quinta-feira, dia 29.
De acordo com o advogado Mateus Vergara, o impedimento de apresentar fotos, filmagens e provas, contidas no processo, ao seu cliente na noite de quarta-feira, na sala onde ele fica detido no 5º Batalhão da Polícia Militar (PM), conforme a FOLHA informou na edição de quinta-feira, originou o pedido da suspensão.
"No primeiro momento a juíza entendeu que isso não tinha razão, mas depois ela chegou à conclusão que esta situação prejudicava a defesa do Colli", explicou Vergara. A Justiça determinou que Marcos Colli poderá ter acesso às provas, inclusive ao material em vídeo.
A promotora da Vara da Infância e Juventude, Susana Lacerda, lamentou a suspensão da audiência, mas reconheceu que a juíza agiu de forma correta para evitar uma possível nulidade do julgamento no futuro, já que todo processo penal sempre vigora em benefício do réu.
"A constituição do defensor foi feita há meses, a mídia estava juntada desde o oferecimento da denúncia e as provas foram produzidas pelo próprio réu. Parece estapafúrdia a alegação que o réu não conhecia o conteúdo", ressaltou a promotora.
Depoimentos
Marcos Colli chegou ao anexo do Fórum às 12h36 em uma viatura do Pelotão de Choque vestido com um terno escuro. O réu entrou pela garagem e subiu ao terceiro andar do prédio por um acesso reservado. Meia hora antes, as vítimas, acompanhadas dos pais, fizeram o mesmo trajeto até a sala de depoimento sem dano, onde as crianças foram ouvidas. Pouco antes das 13 horas, o advogado Mateus Vergara chegou, mas mesmo usando o acesso convencional à 6ª Vara Criminal evitou falar com os jornalistas. Para dificultar a visualização do corredor, que leva à sala de audiência, foram afixados cartazes nas portas de vidro.
Antes da sessão ser suspensa, foram ouvidas as três vítimas e a mãe delas. As quatro não precisarão dar novos depoimentos. Na continuidade do processo vão prestar esclarecimentos as outras nove testemunhas de acusação, as oito de defesa e o próprio Marcos Colli.
Durante o depoimento de uma das irmãs, a menina revelou que o padrasto teria abusado sexualmente da irmã da mãe. O homem está preso desde o início do mês acusado de pedofilia. Para a defesa, esta novidade no depoimento reforça a tese de prostituição infantil por parte da família das vítimas.
"A tese que sempre defendemos foi confirmada pelos depoimentos. Isso não exclui crime, não muda nada, mas o que muda é a necessidade de proteger essas crianças, que ainda estão desprotegidas. Isso transforma a ideia de que o acusado seria o único responsável pela questão", declarou Vergara.
Susana Lacerda rebateu a argumentação. "O eventual abuso do padastro, inclusive contra as vítimas, será apurado pelo MP (Ministério Público), mas isso não afasta a conduta do réu em questão. As provas são contundentes", garantiu. "Não há nenhum elemento de prostituição infantil ou conveniência na investigação. Se houvesse seria dever do MP oferecer a denúncia. Mesmo se fosse um caso de conveniência da mãe, isso não afasta a responsabilidade do réu", prosseguiu a promotora.
No depoimento, a mãe negou que teria recebido dinheiro de Marcos Colli para sair com as filhas. "Vamos descobrir durante a audiência se a família teria oferecido essas crianças a ele, já que as meninas confirmaram que ganhavam presentes do Colli", frisou Vergara.
O ex-assessor da Câmara Municipal de Londrina está preso desde 20 de maio. A Justiça já instaurou outros três processos criminais contra Colli, também por pedofilia, em um total de mais de dez vítimas.


