Dimitri do Valle
De Curitiba
A juíza substituta do Fórum de Loanda, Ana Lúcia Penhabel, revogou ontem os mandados de prisão preventiva de oito lideranças do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). A decisão foi baseada em parecer do Ministério Público, que não encontrou provas para indiciar os sem-terra. A Secretaria de Segurança Pública acusa as lideranças de formação de quadrilha, roubo de gado e equipamentos, além de porte ilegal de arma.
Dos oito trabalhadores beneficiados com a decisão de ontem, apenas um estava preso. Trata-se de Paulo Demarchi que foi detido por ordens da juíza titular da comarca, Elizabeth Khater, no dia 6 de maio dentro do Fórum de Loanda.
Os outros sem-terra que eram procurados estão escondidos desde que o governo do Estado cumpriu 14 mandados de reintegração de posse no Noroeste, entre os meses de abril e maio. São eles: Celso Anghinoni, Pedro Alves Cabral, Giovani Braum, Delfino Becker, Arlei Escher, Antônio Brumo e Nildemar da Silva.
Nas operações de desocupação na região Noroeste, 41 lideranças do MST foram presas pela Polícia Militar. Desse total, apenas cinco ainda permanecem em prisões de delegacias. Jair Regini, José do Carmo Giacometti, José Gomes de Carvalho, Antônio Farias da Cruz e João Motta foram presos na desocupação da Fazenda Bandeirantes, em Querência do Norte, no dia 7 de maio.
O advogado da Comissão Pastoral da Terra (CPT), Darci Frigo, disse que a decisão da juíza substituta Ana Lúcia Penhabel ‘‘resgata os direitos individuais que foram desrepeitados pela juíza Elizabeth Khater’’, responsável pelos mandados de prisão das lideranças. ‘‘Prevaleceu o bom senso que é uma coisa que a juíza Elizabeth Khater não tem’’, emendou. Para Frigo, a revogação é uma prova que caracteriza que a juíza titular de Loanda ‘‘abusou de sua autoridade’’ quando autorizou as prisões.

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