Curitiba - O embate entre bingos e governo do Estado, que parecia superado, voltou à cena ontem. Duas casas de Curitiba conseguiram decisão judicial favorável para retomar as atividades. O Bristol Golden Bingo e o Village Batel, como ''filiais'' de estabelecimentos da capital fluminense, beneficiaram-se de liminares concedidas pela Justiça do Rio de Janeiro.
O procurador-geral do Estado, Sérgio Botto de Lacerda, disse que o governo não reconhece decisões judiciais válidas em outros estados. Segundo ele, essa ''estratégia'' de alterar o contrato social para se transformar em filial de estabelecimentos, que têm amparo de liminares para funcionar, já foi usada por proprietários de bingos do Paraná, outras vezes, sem sucesso.
Ainda de acordo com o procurador, a polícia irá fiscalizar os bingos Bristol e Village para impedir que reabram. ''O Paraná não é parte na ação, mas, se for necessário, tomaremos as providências para derrubar essa decisão'', disse.
O funcionamento de bingos no Paraná foi proibido, em abril de 2003, quando um decreto do governador Roberto Requião (PMDB) invalidou resoluções baixadas no governo anterior, que permitiam esse tipo de estabelecimento no Estado. Desde então, a novela de abre-e-fecha das casas de jogos já teve vários capítulos.
A última tentativa de reabertura, em Curitiba, foi a do bingo Mirage, no bairro Portão, em janeiro deste ano. O dono se amparou em uma liminar da Justiça Federal de São Paulo, mas teve que fechar as portas no mesmo dia em que abriu. No local, agora, funciona uma loja de roupas e outros produtos infantis.
A Folha não conseguiu contato com os donos dos bingos Bristol e Village.

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