Justiça quer impedir menores de idade na Liga dos Engraxates
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 16 de maio de 2007
Mariana Guerin<br> Reportagem Local 
Uma nova audiência, no próximo dia 27 de agosto, deve decidir sobre a continuação ou não do trabalho desenvolvido pela Liga dos Engraxates de Londrina. Durante audiência na tarde de ontem, o juiz Manoel Vinícius de Oliveira Branco, titular da 5 Vara do Trabalho de Londrina, decidiu que a Liga terá de apresentar documentos que comprovem que os meninos que fazem parte da instituição estão matriculados em cursos profissionalizantes.
Segundo a advogada Giane Lopes Tsuruta, voluntária da Liga, a documentação deverá ser apresentada até cinco dias após a publicação da decisão judicial em edital, para depois ser avaliada pelo Ministério Público. Os meninos poderão trabalhar normalmente, mas a entidade não poderá receber novos integrantes.
De acordo com o advogado Paulo Alceu Dalle Lastre, representante dos engraxates na audiência de ontem, uma ação movida pela procuradora do Trabalho Janine Fiorot tenta impedir que menores de 18 anos façam parte da Liga dos Engraxates de Londrina. ''Isso vai contra o propósito da entidade, que tem como objetivo principal dar emprego a menores carentes'', argumenta Dalle Lastre.
O advogado explicou que a procuradora quer uma listagem do menores para readequá-los em cursos profissionalizantes, mas sem garantia de trabalho. ''Indiretamente ela quer extinguir a Liga'', opina.
A Liga dos Engraxates de Londrina foi criada em 1966 e em 1990 foi declarada de utilidade pública pelo então prefeito Antônio Belinati.
Atualmente, a entidade atende 22 meninos carentes de Londrina, com ajuda da Catedral Metropolitana e recursos de bazares beneficentes promovidos por voluntários.
Conforme a voluntária Nair Delapria, que cuida dos garotos há oito anos, para participar da Liga é preciso apresentar um comprovante de escolaridade e fazer a matrícula, que é gratuita.
Segundo ela, os meninos ganham café da manhã e almoço, oferecidos pela Catedral, e todos os domingos, após a missa, assistem palestras que discutem desde a escolha da profissão até combate às drogas.
Também ganham uniformes e têm acesso a cursos profissionalizantes. ''Eles só permanecem na Liga enquanto não têm outro lugar para trabalhar'', disse Nair Delapria.


