Justiça quebra sigilos bancário dos envolvidos no transporte de drogas em avião da FAB
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segunda-feira, 28 de junho de 1999
Por Angela Lacerda 
Recife, 29 (AE) - O Conselho Estadual de Justiça Militar
que julga o transporte de 32,9 quilos de cocaína em um avião da Força Aérea Brasileira (FAB), determinou a quebra do sigilo bancário e fiscal dos seis acusados pelo crime. A decisão resultou de um pedido de José Siqueira, advogado de dois dos envolvidos - o tenente-coronel Paulo Sérgio Pereira Oliveira e seu irmão Luiz César Pereira Oliveira. Ele fez a solicitação para seus clientes visando provar a inexistência de enriquecimento ilícito. O Conselho não somente acalheu a reivindicação, mas a estendeu a todos os denunciados.
Hoje, Luiz César Pereira Oliveira foi interrogado pela juíza auditora Maria Placidina Barbosa Araújo, que integra o Conselho, e afirmou ser inocente. Ele e José Roberto Monteiro Zau, para quem trabalhava, seriam as pessoas que receberiam a cocaína em Las Palmas, na Espanha. Luiz César disse que a encomenda foi solicitada por Zau e ele pensava tratar-se de café
cachaça, feijão e ingredientes para feijoada. Aposentado como oficial da Marinha Mercante, Luiz César é técnico em som e iluminação e trabalhava para Zau, dono de uma casa noturna em Lisboa que tinha projetos de abrir outra casa em Las Palmas, além de realizar um festival de música brasileira naquele local.
Segundo o acusado, esta foi a terceira vez que ele pediu a intervenção do irmão, tenente-coronel Pereira Oliveira, para lhe enviar os produtos brasileiros, a pedido de Zau, que seriam utilizados como brindes para facilitar os trâmites burocráticos visando a abertura da casa e a realização do festival. Nas outras duas vezes - em setembro do ano passado e no final de janeiro deste ano - Luiz César disse ter visto o conteúdo da mala e confirmado serem gêneros alimentícios e bebidas.
O aposentado foi o terceiro interrogado pelo Conselho. Antes dele, depuseram o tenente-coronel Pereira Oliveira e o major Luiz Antônio da Silva Greff. O tenente-coronel, acusado de ter entregue as duas malas contendo a cocaína na Base Aérea do Galeão, disse não saber do que se tratava e responsabilizou o tenente-coronel da reserva Washington Vieira da Silva. Já o major Greff, que a pedido do tenente-coronel Washington certificou-se que as malas haviam sido embarcadas, disse que a bagagem era do tenente-coronel Pereira Oliveira. Os três já interrogados estão presos na Base Aérea do Recife. Os outros três - tenente-coronel Washington, José Roberto Monteiro Zau e o ex-policial civil Adílson Nunes, sogro de Zau, estão foragidos e não compareceram à convocação para o interrogatório.
O Conselho marcou para o dia 29 de julho o novo interrogatório para os três foragidos. Um edital de citação será publicado no Diário Oficial da União. Se eles não comparecerem serão julgados à revelia. O Hércules C-130 que carregava as duas malas com a cocaína, saiu do Rio de Janeiro no dia 18 de abril e tinha por destino a Europa. A aeronave e a droga foram apreendidas na madrugada do dia 19, na Base Aérea do Recife, durante escala técnica.


