Justiça protege HSBC de protestos
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quarta-feira, 17 de setembro de 2003
Rodrigo Sais<BR>Equipe da Folha 
Curitiba - A cena é incomum: apesar da paralisação de atividades em 14 agências bancárias no centro de Curitiba deflagrada ontem pelo Sindicato dos Bancários, nenhum representante da categoria ocupou a Boca Maldita, tradicional ponto de protestos da Capital. O motivo é uma decisão do juiz da 7ªVara Cível de Curitiba, Gil Fernandes Guerra, que proibiu representantes do sindicato ou da Federação dos Bancários da Central Única dos Trabalhadores (Fetec) de se manifestarem a menos de 50 metros de qualquer unidade do Banco HSBC. Uma das maiores agências do banco inglês que comprou o extinto Bamerindus em 1997 está localizada bem em frente à Boca Maldita.
A liminar foi concedida por Guerra atendendo a um pedido dos advogados do HSBC. Em seu despacho, o juiz afirma que a proibição de protestos em um raio de 50 metros de qualquer unidade do HSBC visa garantir o normal funcionamento das agências (...) e evitar tumultos, violências ou embates entre os empregados mobilizados e os atuantes. Caso a proibição seja violada, o juiz prevê o pagamento de uma multa de R$ 50 mil por dia ao Sindicato dos Bancários e à Fetec.
As duas entidades já recorreram da decisão. Acreditamos que a decisão deve ser derrubada em breve. Em primeiro lugar, acreditamos que a liminar fere a Constituição, que prevê o direito de greve e de manifestação. Em segundo lugar, todas as manifestações promovidas pelos bancários até agora foram caracterizadas pela ordem e pelo seu caráter pacífico, afirmou Adilson Stuzata, advogado do Sindicato dos Bancários.
Stuzata citou a paralisação de ontem como exemplo da passividade das manifestações. Negociamos com os patrões a liberação da entrada de pessoas com funções vitais para a atividade bancária nas 14 agências e promovemos atividades para orientar a população sobre as agências que eles deviam procurar para serem atendidos, explicou. A paralisação atingiu unidades do Bradesco, Santander, HSBC, Banco do Brasil, Real, três agências do Unibanco, BMB, Safra, Banrisul e Banespa localizadas nas ruas XV de Novembro e Marechal Deodoro, região que corresponde ao centro financeiro de Curitiba.
Bancários e patrões reúnem-se na próxima sexta-feira para negociar o reajuste salarial. Os bancários reivindicam um reajuste de 26% referente à inflação nos últimos 12 meses e a produtividade dos funcionários. Os banqueiros acenam com uma proposta de 10% de reajuste. Os bancos tiveram uma lucratividade de 25% no ano passado, enquanto o resto do setor produtivo teve uma lucratividade média de 5%. Há recursos para o reajuste, disse Stuzata. O Sindicato dos Bancários prevê novas manifestações para hoje.


