Marília, SP, 29 (AE) - O juiz Alexandre Sormani, substituto da 1a Vara da Justiça Federal de Marília, concedeu liminar suspendendo o tráfego de trens de carga e passageiros em Marília. A medida prevê multa de R$ 100 mil para cada trem que passar pela linha férrea. A decisão foi adotada quinta feira e atende pedido formulado em Ação Cívil Pública pelo procurador da República desta cidade, Jefferson Aparecido Dias, que requereu a suspensão do trânsito ferroviário por medida de segurança até que sejam implantadas cancelas nas passagens de nível ou adotada medidas para evitar os constantes acidentes envolvendo veículos e pedestres no perímetro urbano O procurador, que vem levantando a questão da segurança em relação aos trilhos ferroviários, chegou a conclusão de que pelo menos uma vez por ano ocorrem acidentes graves, com mortes, nas passagens de nível da Ferroban, no perímetro urbano de Marília. O último aconteceu no dia 7 de janeiro no cruzamento do bairro Maria Isabel quando uma composição chocou-se com um automóvel onde estavam quatro pessoas. Duas delas morreram e as outras duas ficaram gravemente feridas. Na decisão o juiz acatou os argumentos da Procuradoria e considerou como sendo precárias as condiçäes de sinalização na maioria das dez passagens de nível que a Ferrovia Bandeirantes ( Ferroban), que sucedeu a Fepasa após o processo de privatização da Rede Ferroviária Federal, mantém na cidade.
A empresa informou ter sido comunicada da decisão judicial e que encaminhou o assunto para a apreciação de seu departamento jurídico para análise. Um funcionário da gerência logística de Bauru, que pediu para não ser identificado, informou que a maior preocupação é com relação ao tráfego dos trens de carga, pois a decisão suspende o tráfego entre Marília e Panorama podendo prejudicar o transporte de grãos, especialmente soja, desde o terminal hidroviário do rio Paraná, em Panorama, na divisa com Mato Grosso do Sul.
Segundo o funcionário, a safra de soja terá início em fevereiro e pelo terminal de Panorama passa grande parte do produto produzido em Mato Grosso do Sul, oeste do Paraná, e Paraguai. Ele não informou qual o volume de soja que deverá ser transportada este ano. O transporte de passageiros não será prejudicado já que a própria Ferroban havia suspendido o serviço desde o dia 18 de janeiro para manutenção dos carros e do leito ferroviário.

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