Justiça proíbe shows no Jockey em Curitiba
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sábado, 11 de dezembro de 2004
Andréa Lombardo<br>Equipe da Folha 
Curitiba- A Justiça proibiu, provisoriamente, a realização de eventos para grande público no Jockey Club do Paraná, em Curitiba. A morte de três adolescentes no show Unidos pela Paz, em 31 de maio do ano passado, pesou na decisão do juiz substituto da 7 Vara Cível de Curitiba, Naor Ribeiro de Macedo Neto, que atendeu pedido de liminar em ação proposta pela Promotoria de Justiça de Defesa do Consumidor do Ministério Público (MP) estadual. A multa por descumprimento é de R$ 50 mil. O clube pode recorrer da decisão.
''(...) Para resguardo da integridade física e patrimonial de possíveis frequentadores de eventos naquela localidade, reputa o Juízo (...) o deferimento da tutela antecipatória para o fim de interditar provisoriamente até ulterior deliberação deste Juízo, as instalações sociais do Jockey Club do Paraná, para realização de eventos públicos de qualquer natureza, que envolvam grande afluxo de pessoas'', relata o juiz em seu despacho.
O promotor João Henrique Vilela da Silveira, responsável pela ação, lembrou que, em 2001, o MP já havia proposto uma outra ação, contestando a realização do show de uma dupla sertaneja por causa da falta de segurança no local. Para ele, houve ''intransigência'' por parte da direção do Jockey em permitir o evento do ano passado, que acabou em tragédia depois de um tumulto generalizado na entrada. Morreram pisoteados os adolescentes Jonathan Raul dos Santos, 15 anos, Larissa Seletti, 15 anos e Mariah de Andrade Souza, 14 anos. Vários outros jovens ficaram feridos.
Na ação, o MP cita o Jockey Club, os promotores do evento à época Athayde de Oliveira Neto, Luis Fernando Pimentel Mussi e Élcio Lauber Mendes e 11 empresas patrocinadoras do espetáculo. Mussi e Mendes já haviam sido citados na ação de 2001 como organizadores do show.
Apenas Athayde Neto, 24 anos, foi indiciado criminalmente por causa do incidente na entrada do show Unidos pela Paz. Ele responde a processo, em liberdade, por homicídio doloso e lesões corporais graves. A ação tramita na 3 Vara Criminal de Curitiba. Está marcada para o dia 3 de fevereiro de 2005, a audiência da última testemunha arrolada pelo MP.
Segundo o advogado que representa Athayde Neto, Júlio Militão, na sequência, serão agendadas as audiências das testemunhas de defesa. Ele quer derrubar a acusação de homicídio doloso para que seu cliente não precise ir a júri popular.
A Folha fez contato com a direção do Jockey Club e foi informada por uma funcionária que nenhum dos diretores estaria disponível ontem. O presidente do Jockey, Luis Mussi (pai de Luis Fernando), que é também secretário de Estado da Indústria, Comércio e Assuntos do Mercosul, não retornou ao recado deixado na caixa postal de seu celular.


