Justiça proíbe evento com "pega do porco" na zona rural de Londrina
Conforme o despacho judicial, os responsáveis podem ser multados em R$ 30 mil por dia se descumprirem a determinação
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sexta-feira, 17 de dezembro de 2021
Conforme o despacho judicial, os responsáveis podem ser multados em R$ 30 mil por dia se descumprirem a determinação
Rafael Machado - Grupo Folha 
A juíza Camila Tereza Gutzlaff Cardoso, do Plantão Judiciário, resolveu proibir uma competição conhecida popularmente como "pega do porco", quando o animal é jogado em uma espécie de arena para ser "agarrado". A atividade estava programada para uma festa que acontece até o próximo domingo em um restaurante à margem da PR-445, próximo ao distrito de Irerê, zona rural de Londrina. A decisão em caráter liminar saiu na tarde desta sexta-feira (17) e foi entregue por um oficial de justiça aos organizadores do evento.

A ação foi ingressada ainda durante a madrugada desta sexta por quatro advogados que atuam na causa animal. O grupo alegou que os porcos "teriam sofrimento desnecessário, tanto físico quanto psicológico". Na petição, os defensores afirmam que "outras cidades brasileiras" já proibiram a atividade. Conforme o despacho judicial, os responsáveis podem ser multados em R$ 30 mil por dia se descumprirem a determinação.
De acordo com a advogada Rafaela Teixeira da Costa, uma das que protocolaram a ação, o proprietário do restaurante se comprometeu a cumprir a ordem da juíza. "A festa em si pode acontecer, mas não com esse tipo de ação que maltrata os porcos. Essa prática é tão comum e naturalizada, principalmente em cidades menores, que as pessoas se surpreendem quando buscamos a Justiça, denunciamos a situação. Na minha opinião, é uma crueldade travestida de cultura", acrescentou.
Para a magistrada, a 'pega do porco' provoca "a desregulação de seus sistemas, tais como falhas hormonais, além da possibilidade de causar fraturas, deslocamentos, feridas internas e externas quando de sua captura. Tal atividade é proibida pelo ordenamento jurídico brasileiro ao promover sofrimento aos animais e deve ser coibida pelo poder público", descreveu na decisão. A FOLHA procurou os responsáveis pelo evento, mas não obteve retorno das ligações.
Tradição
Em 2019, o MGDA (Movimento Gaúcho de Defesa Animal) entrou com ação civil pública para a proibição da Pega do Porco na Lama, evento tradicional em Araricá (RS). O caso chegou ao Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, que decidiu pela proibição do evento. Na decisão, foi solicitado o impedimento de atividades com potencial de causar sofrimento físico ou psicológico aos animais.
A pega ao porco também é popular no interior do Paraná. São Pedro do Ivaí, no Vale do Ivaí, tem o “pega da leitoa” como um dos atrativos da Festa do Dia do Trabalhador. Em 2019, última edição realizada, o município colocou 15 porcos para serem “agarrados” na arena cheia de lama. De acordo com a divulgação, a competição estava aberta para pessoas de todas as idades.(Colaborou Daniel Muniz/Especial para a Folha)


