Curitiba - A Justiça deve ouvir, hoje, as últimas testemunhas de defesa e acusação do processo em que é réu o promotor de eventos Athayde de Oliveira Neto, 28 anos. Ele organizou o show ''Unidos pela Paz'', em maio de 2003, onde três adolescentes morreram pisoteados e cerca de 30 pessoas ficaram feridas, em um tumulto na entrada do evento, no Jockey Club de Curitiba. Oliveira Neto é acusado pelos três homicídios e seu pai, Athayde de Oliveira Júnior, é réu, na mesma ação, sob acusação de falsidade ideológica.
O advogado de Oliveira Neto, Júlio Militão, disse que na audiência deverão ser ouvidas duas testemunhas de defesa e uma de acusação. Segundo o advogado, há uma terceira testemunha de defesa arrolada, que está fora do País, e, por isso, ele deverá pedir uma nova audiência. Militão considera imprescindível esse testemunho, de um outro promotor de eventos, que já havia realizado shows de grande porte no Jockey Club.
O advogado entende que a testemunha irá reforçar a tese de que o espaço comportava eventos para grandes públicos. A defesa sustenta que o tumulto ocorreu fora das instalações do Jockey e que faltou intervenção da segurança pública para evitar o incidente.
Militão explicou que a testemunha está na Irlanda e poderia ser ouvida por carta rogatória. Mas, para isso, seria necessário traduzir todas as milhares de páginas do processo para a língua daquele país, o que seria demorado e oneroso. Por essa razão, ele irá pedir a nova audiência. Caso o Juízo da 3 Vara Criminal - onde corre a ação penal - não aceite o pedido, a etapa de oitiva de testemunhas se encerra hoje. O juiz irá, então, apreciar o processo e decidir se mantém a acusação de homicídio doloso. Nesse caso, a ação é remetida ao Tribunal do Júri para julgamento popular.
Oliveira Neto responde o processo em liberdade. À época dos fatos, ele chegou a ter prisão preventiva decretada, mas ficou detido por apenas três dias e foi liberado por força de habeas corpus. Há uma série de outras ações de indenização contra Oliveira Neto tramitando em varas cíveis de Curitiba e no Juizado Especial.
Em uma das ações, os desembargadores da 5 Câmara Cível do Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná decidiram, por unanimidade, condenar Oliveira Neto a pagar uma indenização por danos morais de R$ 80 mil ao casal Valdecir Cordeiro dos Santos e Nelita de Lima Oliveira Santos - pais de Jonathan Raul dos Santos, 15, um dos adolescentes mortos na entrada do show. Além disso, o TJ impôs pensão mensal de 2/3 do salário mínimo, da data do evento até a data em que a vítima completaria 25 anos, e de 1/3 do salário mínimo, a partir de então, até a data em que Jonathan completaria 65 anos. Como o processo ainda está em grau de recurso, Militão preferiu não comentar a decisão. Só adiantou que irá recorrer.
O evento Unidos pela Paz aconteceu no dia 31 de maio de 2003. Quando o show começou, havia centenas de pessoas do lado de fora. No empurra-empurra, além de Jonathan, morreram pisoteadas as adolescentes Larissa Seletti, 15, e Mariah de Andrade Souza, 14. Outros dois adolescentes tiveram lesões corporais graves.

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