Justiça ouve integrantes da Via Campesina
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quarta-feira, 16 de janeiro de 2008
Rodrigo Lopes<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A 1 Vara Criminal de Cascavel ouviu na última segunda-feira os depoimentos dos integrantes do movimento Via Campesina, Celso Ribeiro Barbosa e Célia Aparecida Lourenço. Eles foram denunciados por participação no confronto que resultou na morte de um sem-terra e um segurança na fazenda experimental da multinacional Syngenta, em Santa Tereza do Oeste, em 21 de outubro. Ambos negaram responsabilidade pelas mortes.
Após a conclusão do inquérito policial que investigou o caso, Barbosa e Célia foram denunciados pelo Ministério Público por formação de quadrilha armada, invasão de propriedade, homicídio, tentativas de homicídio e lesões corporais graves e leves, todos com dolo eventual. Além disso, Barbosa também foi denunciado por homicídio direto. Os dois integrantes da Via Campesina chegaram a ter prisões preventivas decretadas. Mas elas foram revogadas depois que a Justiça estendeu a eles o direito de habeas corpus que havia sido concedido para seguranças da empresa NF, que também respondem por participação no confronto.
Em seus depoimentos, Barbosa e Célia negaram envolvimento nas mortes. ''Os depoimentos foram basicamente os mesmos que já haviam sido prestados à polícia'', afirmou a advogada Gisele Cassano, que representa os acusados.
Segundo Gisele, Barbosa alegou que deixou a guarita da fazenda antes do confronto, quando seguranças da NF, empresa contratada pela Syngenta, tentavam entrar na propriedade. Já Célia afirmou que viu quando o sem-terra Valmir Mota de Oliveira foi baleado no confronto e, inclusive, reconheceu o homem que teria disparado o tiro. Além de Oliveira, o segurança Fábio Ferreira também morreu no confronto. Nas próximas semanas, a Justiça em Cascavel deve começar a ouvir testemunhas apresentadas pelo Ministério Público quanto pelas defesas dos acusados.


