Londrina- A Justiça concedeu no final da tarde de ontem uma liminar exigindo a saída imediata das quase 200 famílias que invadiram um terreno na avenida Guilherme de Almeida (Zona Sul de Londrina), na última quarta-feira. A área pertence à Construtora Abussafi, que tem o vereador João Abussafi como um dos sócios, e foi invadida, inicialmente, em retaliação à falta de duplicação do trecho localizado em frente ao imóvel. Assim que foram informados da decisão, representantes dos invasores procuraram a empresa para tentar uma negociação. Em caso de descumprimento, a Polícia Militar pode ser acionada para fazer a retirada.
A ordem de reintegração de posse foi obtida junto ao juiz substituto da 8 Vara Cível, Marcos José Vieira, uma vez que o juiz titular, José Ricardo Vianna, é irmão da advogada da construtora, Inajá Vianna Silvestre. Ela explicou que a decisão deveria ser cumprida imediatamente. Em caso de descumprimento, poderia haver uso de força policial para fazer a retirada das famílias do terreno. Além disso, o descumprimento renderá multa diária de R$ 5 mil aos invasores. ''Aquela é uma área particular, da qual os proprietários nunca deixaram de exercer a posse'', argumentou a advogada.
As lideranças do movimento, Robson Pereira dos Santos e Renata Priscila de Jesus, foram notificados formalmente no final da tarde e receberam um prazo . Após reunião com as famílias que ocuparam a área, eles decidiram procurar Abussafi mas ele não foi encontrado no gabinete. Na sede da construtora, conseguiram falar com o gerente, Arley Dib Abussafi. Santos argumentou que os moradores estariam dispostos a negociar mas precisariam de um prazo maior para buscar o acordo. Os oficiais de Justiça estabeleceram a próxima segunda-feira como o prazo limite para as famílias deixarem o imóvel.
Pelo lado da empresa, o gerente adiantou que há a intenção de se estabelecer uma saída amigável para o impasse. ''Temos todo o interesse em negociar'', garantiu. Ele afirmou, porém, que antes de anunciar uma posição definitiva precisava se consultar com sua advogada.
''Tenho esperança que a gente vai conseguir tudo numa boa. Vamos ficar no terreno até segunda-feira e com a força de Deus e Jesus acredito que vamos ficar para sempre'', comentou Santos. Satisfeito com a recepção que teve da construtora, o lider comunitário disse que a Prefeitura também deverá ser procurada nas próximas horas.
O terreno, de 25 mil metros quadrados, foi invadido na última quarta-feira depois que os moradores não conseguiram garantias para a duplicação do trecho de 500 metros da Guilherme de Almeida, que fica em frente ao imóvel. Antes disso, eles haviam feito dois dias seguidos de protestos em razão dos constantes casos de acidentes e mortes no trânsito. Abussafi argumenta que a responsabilidade pela obra seria do Município, que assumiu o compromisso em 2001 depois de receber uma doação da empresa de 10,6 mil metros quadrados. A Prefeitura ainda analisa a situação.

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