Justiça no Bairro atende 15 mil pessoas em Londrina
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domingo, 16 de junho de 2013
Danilo Marconi<br> Reportagem Local 
Londrina Marcelo e Viviane Silva são pais de cinco filhos, frutos de um relacionamento duradouro que completou recentemente 17 anos. Os dois tiveram que enfrentar muitos obstáculos ao longo deste período, já que nem tudo na vida são flores. Uma dessas arestas que não havia sido apagada foi superada neste final de semana.
Viviane engravidou enquanto os dois namoravam. Depois de um desentendimento, ela mudou-se de Londrina e passou a viver com a própria família em Piracicaba, interior de São Paulo, local onde Joyce nasceu.
Ela é uma adolescente como outra qualquer, que estuda, tem sonhos de trabalhar, constituir família. Mas algo a incomodava. Joyce não tinha o sobrenome do pai na certidão de nascimento. "Há anos ela me cobra", comentou o auxiliar de produção Marcelo Vitor da Silva.
Problema contornado durante o mutirão do Justiça no Bairro, realizado neste final de semana em Londrina. O projeto é desenvolvido pelo Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR). Em menos de uma hora, os pais de Joyce saíram com um mandado de averbação que retifica o registro civil da adolescente. "Aproveitamos a oportunidade e grátis", comentou a dona de casa, Viviane Quintilhano Silva. "Estou muito feliz. Vou mudar meu nome da forma como queria", comemorou Joyce Quintilhano.
Este foi apenas um dos cerca de 15 mil atendimentos feitos pelo Justiça no Bairro. No local foram realizados perícias, acordos, julgamentos, retificação de registro civil, declaração de união estável, termo de guarda, reconhecimento de paternidade, separação consensual e até casamento coletivo.
De acordo com balanço divulgado ontem pela desembargadora Joeci Machado Camargo, idealizadora da iniciativa, foram realizadas 1.069 audiências e 990 perícias relacionadas a Dpvat, interdições e indenizações.
Esta foi a quinta vez que a cidade sediou uma edição do programa, que contou com mais de 400 voluntários. "Trazemos médicos, peritos, juizes e advogados. É um contexto muito grande de estrutura de voluntariado, onde as pessoas procuram dar o melhor de si. O ambiente fica emantado de paz, solidariedade, cujo contexto é de construção e resolução", definiu a desembargadora. Ela adiantou que até o final do ano Londrina deve receber mais uma edição do projeto.
Sábado houve atendimento para procura espontânea sobre assuntos relacionados ao Direito da Família. "A questão é facilitar o acesso das famílias mais carentes a Justiça, tratar as questões de forma simples", resumiu a juíza da 17ª Vara Cível de Curitiba, Vanessa Jamus Marchi.
O Justiça no Bairro julgou de mais de 1,5 mil processos do seguro obrigatório de Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Vias Terrestres (DPVAT). As varas cíveis da comarca local acumulavam mais de 8 mil ações de DPVAT.
O lavrador José Almiro Garmati aguardava seu julgamento há quatro anos. Em 2009, ele foi atropelado por uma camionete e fraturou ombro e costelas. "Nunca mais consegui trabalhar e espero minha aposentadoria até hoje", lamentou. Sua ação foi julgada em R$ 11 mil.
O TJ-PR realiza nesta semana a edição do Justiça no Bairro em Maringá.(Colaborou Lúcio Flávio Moura)


