A juíza Thais Macorin Carramaschi de Martin, do 6º Juizado Especial Criminal de Londrina, remeteu à Justiça Militar do Paraná, com sede em Curitiba, a denúncia feita pelo comerciante Thiago José da Silva, 33 anos, sobre possíveis agressões que teria sofrido durante uma abordagem policial no jardim Nossa Senhora da Paz, na região oeste, há 10 dias.

Imagem ilustrativa da imagem Justiça Militar vai apurar suposta agressão policial em bairro de Londrina
| Foto: Divulgação


Em depoimento, Silva disse que estava com a esposa no estabelecimento de bebidas no qual é proprietário quando três viaturas do Choque chegaram. Ele afirmou que, enquanto era abordado, os policiais começaram a agredi-lo sem motivo. "Eles torceram os meus braços, forçando de um lado para o outro".

As supostas agressões foram filmadas pela esposa do rapaz, mas as gravações teriam sido apagadas do celular por um PM. Silva ainda acusa os agentes de desferirem socos e chutes no olho, tórax, costelas, ombro e joelho esquerdo enquanto estava deitado, provocando diversos hematomas na cabeça.

Três dias depois, perto das 17h30, o comerciante ressaltou que teria sido novamente ameaçado por policiais que patrulhavam o bairro em duas viaturas. "Vamos continuar tudo o que começou? Você pode ir onde quiser. Ninguém vai fazer a gente parar com isso não!", teria dito um deles. O advogado Marcelo Camargo, que defende Silva, acredita que as denúncias são represálias de uma representação criminal aberta pelo comerciante em 2015 contra os servidores.

"Ele passou a sofrer perseguições, abordagens e agressões injustas", pontuou Camargo. O promotor Eduardo Nagib, que acompanha a situação, explicou que a apuração de crimes cometidos por militares contra civis compete à Justiça Militar depois de uma modificação na lei 13.491, que instituiu o Código Penal Militar. A mudança, assinada pelo então ministro da Defesa, Raul Jungmann, foi promulgada em outubro do ano passado.

"Não podemos ter uma certeza exatamente do que aconteceu", afirmou Nagib. Em contrapartida, corre no 6º Juizado Especial Criminal um processo de desacato por parte do comerciante. Os policiais disseram que Silva teria incitado a população do bairro contra a corporação. "Pedi que a Polícia Civil aprofunde as investigações em torno dessa possível desobediência. Dependendo do resultado, arquivo ou dou prosseguimento ao processo. o Thiago diz que não desacatou os policiais", ponderou o promotor.

Na época, o comandante da 4ª Companhia Independente, Nelson Villa, disse que aguardava a apreciação da Justiça. No dia em que o Silva teria sido agredido, moradores do bairro bloquearam a avenida Brasília, trecho urbano da BR-369, contra ações da polícia.

Denunciado

Thiago José da Silva, vulgo "Danone", foi denunciado pelo Ministério Público com mais oito pessoas por possível envolvimento em quatro homicídios e outra tentativa que teriam sido comandados por Edson dos Santos Rodrigues, o Zoza, entre 2011 e 2012 no jardim Nossa Senhora da Paz. Em agosto do ano passado, o criminoso foi levado a júri e condenado a 75 anos de prisão. Outros três réus tiveram penas estipuladas entre 21 e 49 anos. Um quinto acusado permanece foragido.

Atualmente, Zoza cumpre pena pelo assassinato de uma criança de 11 anos na Penitenciária Federal de Mossoró, no Rio Grande do Norte. As acusações contra Silva foram retiradas pela juíza da 1ª Vara Criminal, Elisabeth Kather. "Ele já teve passagens pelo sistema prisional, mas já cumpriu tudo", comentou o advogado Marcelo Camargo.

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