Justiça marca primeira audiência de guardas acusados da morte de jovem
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quarta-feira, 04 de julho de 2018
Rafael Machado<br>Grupo Folha 
A juíza da 1ª Vara Criminal de Londrina, Elisabeth Kather, reservou o dia 8 de agosto para realização da primeira audiência do processo que apura a morte do estudante Matheus Evangelista, 18 anos, em março deste ano na zona norte da cidade. O jovem participava de uma festa quando, ao ser abordado por guardas municipais, teria sido baleado, conforme denúncia do Ministério Público e investigação conduzida pela Delegacia de Homicídios (DH). Os agentes Fernando Ferreira das Neves e Michael de Souza Garcia continuam presos. Já João Victor Arruda, o terceiro acusado, permanece solto, mas afastado da Secretaria de Defesa Social e proibido de portar armas de fogo, sejam elas particulares ou da Guarda Municipal.

A Justiça deve ouvir primeiramente as testemunhas arroladas pela acusação, em seguida as de defesa e por último interrogar os réus. O advogado Mário Barbosa, que defende a família da vítima, disse "estar confiante na condenação dos guardas, que insistem em justificar atos criminosos injustificáveis". A advogada Mariana Rodrigues, atuante na defesa de Fernando Neves, não quis se manifestar. O advogado de João Arruda, Rafael Garcia Campos, está convicto de que "a denúncia do MP atribui uma conduta atípica ao crime de fraude processual. O fato de ter tirado o rapaz ainda com vida do local para prestar socorro não configura fraude, uma vez que jamais seria realizado perícia com a vítima viva no local".
De acordo com o advogado Lucas Andrey Battini, que representa Michael de Souza Garcia, classificou a convocação da primeira audiência pela Justiça como "uma grande oportunidade para rechaçar as imputações a ele atribuídas, sobretudo porque entendo que o meu cliente não participou dos delitos narrados pelo Ministério Público. Há falta de elementos que comprovem a participação dele (Garcia)", completou o defensor, prestes a ingressar com um habeas corpus.
Em maio, o promotor Ricardo Domingues denunciou Neves e Garcia por homicídio qualificado e fraude processual e Arruda apenas por este último fato. Os disparos que atingiram Matheus Evangelista aconteceram em "um local cheio de jovens. A vítima estava com as mãos para cima, conforme as ordens dos guadas municipais". Os servidores alegam que o jovem já estava baleado quando chegaram para atender uma ocorrência de perturbação de sossego, já que teriam sido chamados por moradores do jardim Porto Seguro incomodados com a festa. Amigos do rapaz ouvidos pela Polícia Civil desmentiram essa argumentação. Durante reconstituição do caso, o delegado Ricardo Jorge, que conduziu o inquérito, informou que o tiro que matou Evangelista saiu da pistola de Fernando Neves.


