Justiça mantém prisão de PMs acusados de extorquir mulheres em Ibiporã
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quarta-feira, 03 de junho de 2020
Rafael Machado - Grupo Folha 
A juíza Camila Covolo de Carvalho, da Vara Criminal de Ibiporã, manteve as prisões preventivas de dois policiais militares acusados de extorquir mulheres na cidade. A defesa pediu que os agentes usassem tornozeleiras eletrônicas, o que foi negado. Segundo a investigação, eles emprestavam dinheiro, mas cobravam juros altíssimos das vítimas, sempre variando entre 7% e 20%, como aponta a denúncia do Ministério Público.
Os réus, que têm 27 e 30 anos, estão lotados no 5º Batalhão da Polícia Militar e na 4ª Companhia Independente, responsável pelo patrulhamento na zona norte. Os PMs foram detidos em uma operação da Corregedoria da corporação na praça da Igreja Católica de Ibiporã. Foram apreendidos quase nove mil reais em espécie, nove cartões bancários, documentos pessoais, cheques, celulares, munições, um revólver calibre 38 e um carro.
De acordo com a magistrada, os soldados não podem ser soltos porque "os fatos em apuração, em tese, são de alta gravidade". O advogado de defesa Eduardo Mileo informou à FOLHA que "a falta de investigação prévia trouxe uma precipitação na acusação. Estamos apresentando provas de transações financeiras lícitas. Nunca houve qualquer coação". Na denúncia, o MP reuniu áudios de possíveis ameaças contra as mulheres.
O promotor Thiago Cava solicitou que os policiais não recebessem visitas para evitar a disseminação do novo coronavírus. A juíza, no entanto, descartou o requerimento. Ela citou que a Lei de Execução Penal permite o acesso de familiares aos detentos. O direito é autorizado até para os presos do chamado RDD (Regime Disciplinar Diferenciado), sistema geralmente aplicado para encarcerados de alta periculosidade, como os integrantes do PCC (Primeiro Comando da Capital).


