Justiça mantém presos policiais civis suspeitos de desvio de carga
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quarta-feira, 01 de abril de 2020
Rafael Machado - Grupo Folha 
O juiz da 3ª Vara Criminal de Londrina, Juliano Nanuncio, manteve na última segunda-feira (30) as prisões preventivas dos sete investigadores da Polícia Civil suspeitos de desviarem uma carga contrabandeada que veio do Paraguai e que foi apreendida em dezembro do ano passado. Eles estão detidos desde o final de fevereiro em Curitiba. A operação é comandada pela Corregedoria do órgão no Paraná.

Os advogados dos policiais argumentaram que as prisões deveriam ser revogadas por causa da pandemia do novo coronavírus. Para sustentar o pedido, eles incluíram uma recomendação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) de prevenção ao Covid-19 e a indicação do ministro Marco Aurélio Mello, do STF (Supremo Tribunal Federal), de que juízes reavaliassem a situação dos detentos diante da doença.
A defesa solicitou que um dos investigadores ficasse em prisão domiciliar por possuir hipertensão e câncer de pele, o que o coloca em um dos grupos de risco do coronavírus. O Ministério Público recebeu a petição dos defensores e concluiu que os servidores precisam continuar atrás das grades.
Segundo Juliano Nanuncio, os policiais, "agentes públicos encarregados de combater o crime, a princípio tiraram proveito de seus cargos para a prática criminosa, utilizando-se do aparelhamento do Estado para tanto, ocupando grande parte de um setor da 10ª Subdivisão Policial de Londrina, instrumentalizando-o para seus propósitos espúrios".
O magistrado prossegue. "Não é mera conjectura considerar a possibilidade que os réus, ainda que submetidos a medidas cautelares, se aproveitem da estrutura de sua unidade para a prática delitiva ou obstrução da instrução processual".
Sobre a revisão das prisões por causa do Covid-19, o juiz afirmou que "isso não pode implicar, obviamente, na soltura indiscriminada de todos os réus presos preventivametne, o que atentaria contra a ordem pública, agravando ainda mais a insegurança da população já bastante acentuada pelo estado de calamidade pública atual", finalizou.
Os advogados dos servidores não quiseram se manifestar sobre a decisão. Os sete investigadores respondem o processo por associação criminosa pelo emprego de arma, prevaricação, peculato, falsidade ideológica e cárcere privado.


