A juíza da 1ª Vara Criminal de Londrina, Elisabeth Kather, manteve, em decisão publicada nesta terça-feira (3), a prisão temporária do guarda municipal Michael de Souza Garcia, suspeito de envolvimento na morte de Matheus Ferreira Evangelista, 18 anos, no dia 11 de março. O rapaz faleceu enquanto participava de uma festa em um bairro da zona norte da cidade. Os agentes foram chamados por moradores da região para atender uma ocorrência de perturbação de sossego. A versão dada à Delegacia de Homicídios (DH) é que, ao chegarem no endereço, os servidores localizaram a vítima baleada.

A tese é desmontada por outros jovens que estariam no evento. Testemunhas disseram que os tiros que ocasionaram o homicídio de Matheus teriam sido feitos durante a abordagem dos guardas. Essa não foi a avaliação do Instituto de Criminalística. Na semana passada, um laudo do órgão atestou que o projétil que atingiu Evangelista não saiu da arma apresentada por Garcia à Polícia Civil. Nem isso foi suficiente para mudar o pensamento da Justiça.

"O resultado do confronto balístico não exclui os indícios de participação de Michael no delito. Provas testemunhais descreveram as condições físicas do executor compatíveis com o porte física e características do indiciado", escreveu Kather. A magistrada firmou posição ao citar o depoimento dado por uma moça que estaria ao lado de Matheus quando ele foi baleado. "Ela afirmou ter sido intimidada pelo investigado com o objetivo de não relatar o fato presenciado", descreveu. A detenção temporária, decretada em 15 de março, tem validade de 30 dias.

A polícia, conforme o conteúdo da decisão da 1ª Vara Criminal, ainda não concluiu o inquérito. Além de Michael, outros dois guardas foram afastados das funções pelo secretário municipal de Defesa Social, Evaristo Kuceki. O advogado André Geraldino, que defende o agente investigado, não quis comentar o recente despacho.

O advogado Mário Barbosa, que representa a família de Matheus Evangelista, disse que já esperava o resultado. "Estávamos aguardando esse resultado. Mais de oito pessoas salientaram que os disparos foram efeitos pela corporação. Isso é incontestável".

O caso suscitou o debate sobre a necessidade da Guarda Municipal permanecer armada, o que acontece desde 2015. Recentemente, o Ministério Público convocou uma reunião entre Kuceki e grupos de diversas instituições. O representante do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Norte do Paraná, José Maschio, apontou a urgência em estruturar uma guarnição mais comunitária. Em contrapartida, o secretário de Defesa Social reiterou o rigor e renovação dos exames psicológicos dos atuais integrantes da GM.

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