Curitiba- A Justiça Federal concedeu uma liminar favorável a Associação dos Professores da Universidade Federal do Paraná (APUFPR) para que a UFPR faça, em 24 horas, a partir da intimação do reitor da instituição, a transferência para o campus de Curitiba de quatro professores que vêm sofrendo assédio moral no Campus da UFPR do Litoral, em Matinhos. Alguns professores estão preocupados com irregularidades no estabelecimento de ensino, dentre elas, o fato dos cursos ainda não serem aprovados pelo Conselho de Ensino e Pesquisa da Universidade.
''Foi uma surpresa trabalhar numa universidade federal na ilegalidade, não existe acompanhamento do conselho, nem discussões de um colegiado. Há uma proposta de modelo pedagógico diferenciado, cujas normas nem sempre são cumpridas pela direção. Não temos estrutura básica como departamentos e grade curricular. Os alunos não sabem nem como serão avaliados'', critica uma das professoras, que preferiu não divulgar o nome para evitar mais perseguições.
Segundo a docente, em cada curso, ocorrem apenas duas aulas semanais específicas da profissão, 20% da carga horária total são dedicados a oficinas da área humanística cultural e os outros dias são voltados aos projetos dos alunos. ''Sofremos retaliações por questionar. O chefe nos impede de exercer atividades e nos calunia diante dos colegas. A direção acumula cargos, não existe uma subchefia. Se criou um limbo ilegal onde se pode tudo na pessoa dele, que pode de fato, mas não de direito'', disse ela.
De acordo com a liminar, concedida no último dia 13, a UFPR terá que ressarcir os danos patrimoniais e morais causados aos professores e instaurar sindicância administrativa para apurar responsabilidades sobre as situações de assédio moral, que geraram um ambiente de trabalho insuportável para os servidores que não concordam com a conduta do diretor.
Segundo a assessoria de imprensa da APUFPR, ''a ação consta que os docentes são desmerecidos, sobrecarregados, desprezados e constantemente ameaçados por estarem em estágio probatório, sendo inegável a coação exercida e o ambiente de pressão criado''.
Foi neste ambiente inóspito que outro professor contraiu vitiligo, doença de pele, e precisa fazer tratamento de fototerapia por sete anos. ''Uma perícia médica, uma biópsia assinada por médicos da universidade, comprova que a instituição me presenteou com esta doença, em dezembro do ano passado. Eu fui a primeira vítima do diretor. Ele começou a me desmerecer depois que eu questionei que os alunos da UFPR do Litoral estavam sendo usados na Operação Verão'', lembra o professor, que prefere não se identificar.
''Desde então eu fui rotulado de irresponsável e tive que provar até para os alunos que eu era comprometido com a universidade. O diretor diz que minha doença e atestados médicos são falsos. Isso me deixou revoltado'', conta o professor. O Ministério Público do Trabalho orientou o docente a procurar a Polícia Federal para salvaguardar sua integridade física.
O reitor recebeu a intimação terça-feira e só irá se manifestar depois que o procurador-chefe da instituição tomar conhecimento do processo.

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