Justiça manda prender Beatriz Abagge
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quarta-feira, 13 de abril de 2016
Celso Felizardo<br>Reportagem Local 
A 2ª Vara do Tribunal do Júri de Curitiba determinou ontem a prisão de Beatriz Cordeiro Abagge, de 52 anos, condenada em maio de 2011 a 21 anos e quatro meses de reclusão pela morte do garoto Evandro Ramos Caetano, vítima de um ritual de magia negra praticado em 1992, em Guaratuba (Litoral). Aos 6 anos, o garoto desapareceu do bairro onde morava. O corpo foi encontrado cinco dias depois, em um matagal, com membros amputados e sem as vísceras.
O pedido de prisão teve base no recente entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF), de que a pena de prisão pode ser cumprida após decisão de segundo grau sem ofender o princípio constitucional da presunção da inocência. O Ministério Público (MP) informou que requereu o imediato cumprimento da decisão condenatória, expedindo mandado de prisão contra a sentenciada. No entanto, a ré permanece foragida.
De acordo com a denúncia, Beatriz e a mãe dela, a então primeira-dama da cidade, Celina Abagge, seriam as mentoras do sequestro do menino, no caso que ficou conhecido como "As bruxas de Guaratuba". Em 23 de março de 1998, Beatriz e Celina foram julgadas pela primeira vez e acabaram inocentadas no então mais longo julgamento da história do País, com 34 dias de duração. Os jurados negaram a materialidade do crime e não reconheceram o cadáver encontrado como sendo o de Evandro.
No ano seguinte, o júri foi anulado porque a decisão dos jurados teria sido contrária à prova dos autos. Retomado o julgamento, em maio de 2011, Beatriz Abagge foi condenada, por quatro votos a três, a 21 anos e quatro meses de prisão, em regime inicial semiaberto. Celina não foi incluída no novo julgamento, pois, como completou 70 anos, teve o crime prescrito.
Ao todo, sete pessoas foram acusadas pelo crime: Celina e Beatriz Abagge; os pais de santo Vicente de Paula Ferreira e Osvaldo Marcineiro; Davi dos Santos Soares, Francisco Sérgio Cristofonili e Airton Bardelli dos Santos, ligados à prática de magia negra.
Em 2004, Ferreira e Marcineiro foram condenados a 20 anos pelos crimes de homicídio triplamente qualificado, sequestro e cárcere privado. Já Soares foi condenado a 18 anos por homicídio e absolvido de participação no sequestro. Eles estão presos. Em 2005, Santos e Cristofonili foram absolvidos de todas as acusações após passarem sete anos presos.


