Belo Horizonte- A Justiça de Minas Gerais determinou a prisão preventiva de nove pessoas acusadas de envolvimento com a exploração sexual de menores em São Francisco, no norte do Estado. Até o final da tarde de ontem, seis acusados, entre eles dois policiais militares, haviam sido detidos em uma operação conjunta realizada anteontem pelas polícias Civil e Militar, que teve o acompanhamento do promotor de Justiça Paulo César Vicente Lima.
Foram presos os policiais militares Adalton Ferreira Santos, de 34 anos, e Antônio Carlos Jesus de Oliveira, 32 anos; os comerciantes Andrelino Florentino de Jesus, 40, e José Fanor Pereira da Silva, 48; o funcionário público municipal Cláudio Rodrigues de Souza, 41, e o bioquímico Maximino Alencar Bezerra, de 59 anos.
Os militares foram encaminhados para o batalhão da PM, em Januária, também no norte de Minas. Os demais foram levados para a cadeia pública de São Francisco.
A juíza da 1 Vara da Comarca de São Francisco, Rosana Silqueira Paixão, determinou também a prisão do vereador Carlos Pereira de Carvalho, 51 anos, do empresário José Benedito Pereira, 51, e do chefe da repartição fazendária estadual de São Francisco, Fernando Afonso Saraiva Costa, 43 anos, que até o final da tarde continuavam foragidos. A juíza acatou parcialmente a denúncia do Ministério Público Estadual, que havia solicitado a prisão preventiva de 25 acusados.
Ao todo, foram denunciadas 37 pessoas, acusadas de explorar sexualmente mais de 30 crianças e adolescentes na cidade. As acusações abrangem crimes de estupro e atentado violento ao pudor, corrupção de menores, favorecimento à prostituição, casa de prostituição, ameaça, constrangimento ilegal e submissão de criança ou adolescente à prostituição e exploração sexual.
A acusação formal, assinada pelos promotores Márcio Rogério de Oliveira e Luciana Kellen Santos Pereira, teve como base um inquérito policial, concluído no dia 06 de maio pela delegada Tânia Darc dos Santos, que resultou no indiciamento de 42 pessoas. Na denúncia, os promotores afirmam que muitas das vítimas vinham sofrendo exploração sexual desde os 9 ou 10 anos e hoje possuem idades variando entre 12 e 16 anos.
''Isso já vinha acontecendo há muito tempo e a maioria das vítimas tinha menos de 14 anos'', disse Luciana. Conforme a promotora, o número de vítimas chega a 44 e outros 15 moradores da cidade deverão ser denunciados nos próximos dias.
Segundo o MPE, a juíza decidiu decretar as prisões apenas dos acusados que teriam feito ameaças às vítimas ou ofereceram dinheiro aos familiares durante as investigações, iniciadas em novembro do ano passado, após denúncia do Conselho Tutelar do município.
Pelo menos 19 vítimas, que estariam sendo ameaçadas e pressionadas, foram incluídas no Programa de Proteção ao Adolescente. Destas, nove foram retiradas da cidade. Outras dez chegaram a ser encaminhadas para outros municípios, mas acabaram voltando para suas famílias.
De acordo com o relatório da denúncia, os indiciados se aproveitavam da situação de pobreza das jovens (perfil comum a todas elas), que mantinham relações sexuais ou praticavam atos sexuais em troca de pequenas quantias de dinheiro (que variavam entre R$ 5 e R$ 10), presentes ou até alimentos.

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