Belém, 05 (AE) - O juiz substituto Francisco Luís Alves, da 4ª Vara Federal no Pará, determinou que o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) pague R$ 1,4 milhão aos donos da fazenda Camapuã, em Paragominas, desapropriada pelo órgão em 1988. O Incra tem prazo de 20 dias para fazer o pagamento, sob pena de ser enquadrado por crime de desobediência.
A fazenda foi desapropriada por decreto assinado pelo então ministro da Reforma Agrária e hoje senador e presidente do PMDB, Jáder Barbalho. Os fazendeiros alegam que a área, de 8,7 mil hectares, era rica em madeiras nobres, mas os donos de serrarias da região "devastaram tudo em menos de oito meses".
O valor da desapropriação foi considerado irrisório pelos proprietários. O Incra pagou a desapropriação com 593 Títulos da Dívida Agrária (TDAs), que na época valiam 8,8 milhões cruzados. Corrigidos, eles valeriam hoje cerca de R$ 40 mil. O advogado dos fazendeiros, José Nobre, explica que a Justiça Federal corrigiu os valores, fixando em R$ 1,4 milhão a dívida do Incra, que terá ainda de pagar as benfeitorias.
O superintendente do Incra em Belém, Darwin Boerner, disse que desconhecia o processo.

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