Justiça manda cancelar registro de áreas griladas
A Justiça do Piauí determinou o cancelamento dos títulos de propriedade de 1 milhão de hectares de terra, griladas com a ajuda de quatro escrivãos, dois tabeliães e técnicos do Instituto de Terras do Estado (Interpi). Um juiz, Osório Marques Bastos, de Curimatá, 775 km ao sul de Teresina, foi citado no relatório que serviu de base para o cancelamento dos registros de imóveis, mas o desembargador José Gomes Barbosa, corregedor-geral da Justiça, disse que há somente suspeita sobre Bastos. O juiz não foi encontrado pela reportagem para falar sobre a suspeita.
Além de cancelar os títulos, o desembargador determinou o afastamento dos servidores envolvidos na grilagem de terras. Eles pegavam uma escritura antiga, descrita em medida já não existente, o cruzeiro, e a transformavam em hectares. Em Gilbués, a 897 km de Teresina, uma propriedade com área três cruzeiros foi transformada em um imóvel com 15 mil hectares. A grilagem de terras foi verificada pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), que no ano passado pediu uma correição em cartórios de 25 municípios. O trabalho foi feito agora.
As terras griladas pertencem ao Estado, mas há também imóveis de particulares e do patrimônio da União. O presidente do Instituto de Terras do Piauí, Acilino Ribeiro, avalia que o prejuízo para o governo poderá chegar a R$ 100 milhões. Cada hectare grilado valeria R$ 70,00. Porém, boa parte das terras vendidas estava avaliada em sacas de soja, variando de 7,5 a 15 sacas por hectare.





