Nova York, 29 (AE) - A Suprema Corte Distrital do Queens negou hoje (29) o pedido de repatriação do motorista brasileiro Aristides Correia Neto, de 28 anos, ordenando seu confinamento por tempo indeterminado no manicômio judiciário de Kings County. Uma junta psiquiátrica oficial concluiu que ele sofre de doença mental irrecuperável. A decisão equivale a pena de prisão perpétua.
O motorista já estava internado num hospício, sem julgamento, desde abril de 98, pelo assassinato do engraxate e também brasileiro Orlando Costa e Silva, de 58 anos. A vítima e o assassino viviam juntos num apartamento em Astoria, o bairro dos brasileiros.
Correia matou o companheiro a facadas, por motivos banais, enquanto, segundo ele, ouvia vozes de aliens. Na primeira tentativa de julgá-lo, em setembro, ele fora considerado temporariamente insano.
O caso foi reaberto em junho, depois que a família, com a ajuda do Consulado Brasileiro, contratou o mais conceituado criminalista da cidade, Marvin Kornberg, para tentar sua repatriação.
A reabertura do processo foi uma breve vitória de Kornberg, só possível porque Correia sempre fora apresentado à Corte drogado com antidepressivos, não permitindo ao tribunal uma avaliação de seu real estado mental.
Na última audiência, o advogado admitiu que seu cliente era doente, mas sustentava a tese de que mantê-lo no manicômio custaria mais caro ao contribuinte americano do que deportá-lo. A promotora Michele Goldstein venceu com o argumento de que "se Correia for solto e deportado poderá retornar a Nova York e cometer outros crimes".
Natural do Espírito Santo, parente de um alto prelado da Igreja Católica, Correia vivia em Nova York desde 1992.
Trabalhava para a companhia Andrea Car Service, transportando turistas brasileiros entre o aeroporto John Kennedy e os hotéis de Manhattan.
Médicos e familiares não souberam explicar como ele pôde ocultar por tanto tempo os sintomas da doença mental.
Logo depois do crime, a polícia suspeitou que ele estivesse fingindo insanidade para escapar do julgamento.
Confirmada a doença, as autoridades esperavam que ele melhorasse para poder levá-lo ao banco dos réus. De lá para cá, ele estava sendo mantido sob efeito de tranquilizantes, numa ala para pacientes potencialmente suicidas.
Na última sessão, dia 14, já sem drogas no organismo, Correia não conseguia nem falar. A junta psiquiátrica classificou o brasileiro de "esquizofrênico, paranóico e suicida, incapaz de entender as acusações" - fornecendo a base para a sentença anunciada hoje.

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