Justiça liberta médica suspeita de mortes em UTI
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 20 de março de 2013
Andréa Bertoldi<br>Reportagem Local 
Curitiba A médica Virgínia Soares de Souza foi libertada ontem do Centro de Triagem I (CT-I), em Curitiba, onde estava presa desde 19 de fevereiro. A liberdade foi concedida pelo juiz da 2ª Vara do Tribunal do Júri de Curitiba, Daniel Surdi de Avelar, que atendeu pedido de defesa da médica.
Ela é acusada de envolvimento em mortes de pacientes na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Evangélico de Curitiba, mas vai responder pelos crimes em liberdade.
Em nota encaminhada por sua assessoria de imprensa, o advogado de Virgínia, Elias Mattar Assad, declarou que "não é a primeira vez que a ignorância aprisiona a ciência, nem será a última que a ciência libertará a ciência".
O advogado acrescentou que, com a liberdade da médica, vai mobilizar os meios científicos e promover todas as medidas previstas em lei, inclusive para o trancamento da ação penal.
Assad disse que vai procurar o Conselho Regional de Medicina e outras entidades para mostrar que o que aconteceu no Evangélico foi um problema ligado à ética médica e não um crime. Segundo ele, não há provas que as mortes aconteceram por ato humano criminoso.
Na última semana, a Justiça já tinha aceitado denúncia criminal oferecida pelo Ministério Público do Paraná (MP-PR) contra oito profissionais de saúde que são ou foram ligados ao Evangélico. Eles são acusados de terem envolvimento em sete mortes que ocorreram na UTI Geral do hospital entre 2006 e janeiro deste ano.
A única que ainda estava presa, entre todos os denunciados, era a médica Virgínia Souza. De acordo com a denúncia do MP-PR, os profissionais de saúde abreviavam a vida dos pacientes com o objetivo de "girar a UTI", isto é, para abrir novas vagas no local.
De acordo com o documento emitido pelo MP, os acusados teriam agido como se pudessem decidir quais pacientes teriam o direito a permanecer vivos na UTI.
Além de Virgínia, também foram denunciados por homicídio três médicos e duas enfermeiras. Outras duas pessoas, uma fisioterapeuta e um enfermeiro - foram denunciadas pelo crime de formação de quadrilha, mas não chegaram a ser presas.
O Hospital Evangélico informou que os médicos que ainda trabalhavam no local vão continuar afastados até que se conclua a sindicância interna.
O MP informou que vai recorrer da decisão da liberdade da médica Virgínia devido à repercussão do caso e ao fato de ela ser acusada de liderar a quadrilha.


