Justiça interfere e vereador é afastado em Ilha Solteira
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segunda-feira, 28 de junho de 1999
Por Antônio José do Carmo 
Ilha Solteira, SP, 29 (AE) - O vereador Severo Souza Filho (PPB), presidente da Câmara de Ilha Solteira, foi afastado do cargo na sessão de ontem. O afastamento de Souza Filho, acusado da contratação de serviços superfaturados, só foi possível após a interferência da juíza Teresa Cristina Cabral Santana. A juíza determinou, através de medida liminar, que o presidente da Câmara cumprisse o regimento interno, e colocasse em votação o pedido de instalação de uma Comissão Processante contra ele próprio.
Acusado de favorecer uma corretora de seguros na contratação de serviços considerados superfaturados, Souza Filho vinha se recusando, há duas semanas, colocar o requerimento feito por presidentes de diretórios municipais de partidos, para ser apreciado pelo plenário. Ele preferiu encaminhar o pedido de instalação da Comissão Processante para o advogado da câmara, que também está comprometido com a denúncia porque era presidente da comissão de licitação que escolheu a corretora de seguros contratada por Souza Filho.
Ontem à noite, os vereadores que defendiam a instalação da comissão conseguiram obter medida liminar em mandado de segurança exigindo o cumprimento do regimento interno. A juíza alegou que a demora em se respeitar a legislação acabaria causando "prejuízo à ordem jurídica estabelecida". Souza Filho abriu a sessão e presidiu os trabalhos até que todos os ofícios e correspondências fossem lidos pela secretaria, durante quase uma hora.
Dezenas de policiais civís, militares e municipais controlaram a entrada do público que ameaçava perder a paciência. Foi permitida a entrada de aproximadamente 200 pessoas. Do lado de fora, pouco mais de cem pessoas acompanharam a sessão pela rádio local e se manifestaram com gritos e palmas quando Souza Filho finalmente aceitou se afastar do cargo, chamando o vice presidente Vinícios Martins Nascimento (sem partido) para que ocupasse seu lugar. Nascimento instalou a Comissão Processante e convocou o vereador suplente Paulo Botácio (PPB) para que assuma o lugar vago por até 90 dias, prazo que os vereadores terão para concluir os trabalhos e decidir se o presidente afastado deve ou não perder o mandato.


