Menos de uma semana depois de ser aberto ao tráfego, o viaduto entre a PR-445 e a Avenida Waldemar Spranger, na zona sul, foi interditado por ordem da 2ª Vara de Fazenda Pública de Londrina. Além da obra, que estava em estágio de avançado de pintura, a decisão obriga ainda o Departamento de Estradas de Rodagem (DER) a suspender os trabalhos na trincheira da Avenida Guilherme de Almeida. Segundo nota o DER, a decisão seria cumprida à zero hora de hoje.
Os dois pontos juntam-se ao viaduto da Dez de Dezembro, interditado em fevereiro por conta de problemas estruturais que provocaram grandes rachaduras na obra. Os pedidos de interdição foram feitos pelo Ministério Público em Londrina. De acordo com o promotor de Defesa de Saúde Pública, do Trabalhador e da Habitação e Urbanismo, Paulo Tavares, as últimas duas interdições foram baseadas em estudo do Clube de Engenharia e Arquitetura de Londrina (Ceal).
O DER informou que, com a interdição do tráfego sobre a PR-445, no cruzamento da Waldemar Spranger, a movimentação da rodovia seria desviada para as vias marginais. Sem saber da ordem de interdição, Marcelo Diniz, que trabalha em uma empresa à margem da rodovia, comemorava a abertura do viaduto na tarde de ontem. "Melhorou bastante, principalmente a segurança. Era muita carreta passando na marginal. Um perigo", expôs.
O mesmo problema é enfrentado por Sidney Caporali, funcionário de uma borracharia ao lado do viaduto da Dez de Dezembro. Quando algum veículo pesado precisa acessar o pátio da empresa, o tráfego na marginal fica bloqueado por vários minutos. "Vou fazer o quê? Preciso trabalhar. É um absurdo conviver há tanto tempo com este problema", reclamou. A interdição com pedras sob o viaduto também são alvo de reclamação de moradores dos bairros vizinhos. "Está perigoso ir ou voltar de casa", comentou o vendedor Rogério Alves.
Para amenizar os impactos no trânsito urbano, o DER relatou que consultaria o Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano Londrina (Ippul) para auxiliar no planejamento viário. A preocupação do DER é que, com a interdição, parte do trânsito pesado da rodovia, como bitrens, se junte aos veículos leves nas marginais. "Isso pode gerar congestionamentos e fugas de veículos das marginais para as vias urbanas, causando assim deterioramento do pavimento municipal", aponta a nota.
Na trincheira da Guilherme de Almeida, o trânsito já estava interrompido, mas funcionários da construtora Sanches Tripoloni seguiam em obras na tarde de ontem. No final da tarde, o DER informou que, após a notificação, pediu a interrupção imediata dos serviços. Para o Ministério Público, a paralisação das obras tem objetivo evitar o agravamento dos problemas e a ocultação dos vícios de construção. O DER informou que atende a decisão judicial, mas pretende recorrer da medida.
Desde setembro do ano passado, o MP cobra explicações sobre falhas nas obras. A duplicação de 22 quilômetros da PR-445 que cortam a região começou em 2012 e deveria ter terminado em 2014. O custo passou de R$ 80 milhões para R$ 137 milhões. A nova previsão do governo estadual é entregar a rodovia duplicada em junho, prazo que deve ser afetado pelas novas interdições.

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