Justiça gratuita e sem burocracia
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sábado, 11 de outubro de 2014
Vítor Ogawa<br> Reportagem Local 
Londrina- Dois mil reais. Esse é o preço médio que os casais precisam arcar para custear um divórcio, valor que se torna proibitivo para quem possui rendimentos abaixo de três salários mínimos. Muitas pessoas que não possuem condições de pagar por isso acabam protelando o processo. Com isso, mesmo separadas, essas pessoas continuam casadas no papel. Além das pessoas que querem se divorciar, muitas pessoas precisam de assistência jurídica na área de alimentos, guarda e responsabilidade, reconhecimento de paternidade e de maternidade, reconhecimento de união estável ou dissolução, DNA, retificação de registro civil e interdição Judicial e não conseguem pelos mesmos motivos. Para ajudar essas pessoas foi realizado ontem, no Campus Unopar - unidade Catuaí, mais uma edição do Justiça no Bairro/Sesc Cidadão.
Com exceção do exame de DNA, todos os outros serviços foram ofertados gratuitamente. Para o casal Franciele de Oliveira, de 29 anos, e Mário Aparecido Lima, de 42 anos, foi uma forma de agilizar o processo. Eles queriam se divorciar há três anos, mas não tinham condições financeiras para isso. Ele está morando em Maringá e ela em Londrina e embora o relacionamento entre eles seja amigável, o desejo de se divorciar era grande. "Cada um tem que seguir a sua vida", afirmou Lima. Quem ficou sabendo que o divórcio sem custos seria possível foi Franciele, que logo ligou para Lima. "Eu já queria ter vindo no ano passado, mas na época não foi possível. Este ano deu certo", disse.
Outro casal que decidiu pelo divórcio foi Suely Freitas de Oliveira, 39 anos, e José de Oliveira, 73 anos, que já tinha dado entrada no processo com o auxílio do escritório de aplicação da Universidade Estadual de Londrina há um ano, mas optou por realizar o divórcio pelo Justiça no Bairro como forma de agilizar. "Por aqui o divórcio sai mais fácil. Se fosse pela via tradicional o divórcio demoraria uns dois ou três anos. Aqui a gente já sai com tudo pronto", destacou Suely.
A desembargadora Joeci Machado Camargo destacou que ali estão presentes juízes, promotores do Ministério Público Estadual reunidos em um só lugar. Ela explicou que esse mutirão é uma forma de aproximar o Poder Judiciário da população, além de ajudar a desafogar a Justiça. Os alunos dos cursos de Direito que participaram da ação também aprendem na prática o ofício ao ajudar a população e acabam descobrindo suas aptidões.
A gerente de Ação Social do Sesc Paraná, Elisângela Domingues, explicou que o evento é uma realização do Poder Judiciário, o Sistema Fecomércio Sesc Senac Paraná e a Universidade Norte do Paraná (Unopar). Para o evento de ontem, a previsão era de realizar cerca de 5 mil atendimentos. Um casamento coletivo também realizado ontem à tarde, com a presença de 124 casais.


